Minas Gerais emite alerta epidemiológico após aumento expressivo de casos de chikungunya
O Governo de Minas Gerais acionou um alerta epidemiológico diante do crescimento significativo de casos de chikungunya em cidades do Triângulo Mineiro. O monitoramento diário da Vigilância Epidemiológica Estadual aponta uma elevação nos registros desde o início de fevereiro, com destaque para os municípios de Uberlândia, Araguari e Ituiutaba.
Números preocupantes na região
De acordo com o levantamento prévio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), até a manhã desta segunda-feira (9), o estado contabilizou 1.006 casos prováveis da doença, com 679 confirmações laboratoriais. Desse total, aproximadamente 73% estão concentrados na macrorregião do Triângulo. Apesar do cenário alarmante, não há mortes pela doença registradas no estado neste ano.
O painel epidemiológico de arboviroses do estado revela que os números registrados nos três municípios são especialmente preocupantes. Para efeito de comparação, Belo Horizonte, a capital mineira, contabiliza apenas 11 casos prováveis de chikungunya e um caso confirmado, evidenciando a disparidade regional.
Dados detalhados dos municípios mais afetados
Os números específicos dos municípios do Triângulo Mineiro mostram a gravidade da situação:
- Uberlândia: 526 casos prováveis e 525 confirmados
- Ituiutaba: 166 casos prováveis e 60 confirmados
- Araguari: 26 casos prováveis
Perfil das vítimas e características da doença
Entre os 597 casos confirmados de chikungunya registrados nas regiões de Uberlândia e Ituiutaba, a maioria dos pacientes é do sexo feminino, representando 57% dos diagnósticos. A faixa etária mais atingida é a de jovens entre 20 e 29 anos, com 144 casos confirmados. Também foram registrados dez casos da doença em crianças de 0 a 9 anos na região.
Em relação às condições de saúde, 84% dos pacientes diagnosticados não apresentam comorbidades, indicando que a doença está afetando amplamente a população geral, independentemente de condições pré-existentes.
Ações de prevenção e resposta das autoridades
Apesar de o cenário ainda não configurar uma epidemia em todo o território mineiro, a SES-MG reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e de resposta rápida por parte dos municípios. Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, o alerta tem caráter preventivo e estratégico.
"Em função desse aumento de positividade da Chikungunya nós estamos emitindo um alerta epidemiológico, de forma a orientar esses municípios de toda região a organizar a assistência e a vigilância para termos uma resposta oportuna à população", explicou o subsecretário.
Uma força-tarefa realizada nesta semana vai promover oficinas de capacitação voltadas às equipes da Atenção Primária, Secundária e Hospitalar, além da Vigilância Epidemiológica e da Saúde Suplementar. As atividades acontecem em Uberlândia, nesta terça-feira (10), e em Ituiutaba, na quarta (11).
Estratégias de enfrentamento e prevenção
A principal forma de enfrentamento, de acordo com o subsecretário, continua sendo a prevenção. Ele destacou que a maior parte dos focos do mosquito transmissor está dentro das residências.
"Cerca de 80% dos focos de água parada estão dentro de casa. É o mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti. Se a gente eliminar os focos de água parada, com certeza, num trabalho de prevenção, podemos fazer um trabalho ainda maior", finalizou.
Dia D e iniciativas estaduais
Como parte das ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, o Governo de Minas também vai promover no dia 28 de fevereiro o "Dia D – Minas Unida contra o Aedes". A iniciativa tem como objetivo intensificar as ações de prevenção e conscientização da população em todo o estado.
A expectativa é que cada município defina as estratégias que serão adotadas, entre elas:
- Mutirões de limpeza
- Recolhimento de entulho
- Distribuição de material informativo com orientações para eliminar possíveis criadouros do mosquito
As autoridades de saúde também reforçam a importância da vacinação como estratégia complementar de proteção contra a dengue, embora a chikungunya ainda não tenha uma vacina amplamente disponível.
Contexto regional e comparações
O aumento dos casos de chikungunya no Triângulo Mineiro ocorre em um contexto onde outras arboviroses também preocupam as autoridades de saúde. Recentemente, foi confirmada a primeira morte por dengue de 2026 em Minas Gerais, também em Uberlândia, reforçando a necessidade de ações integradas contra o mosquito Aedes aegypti.
As chuvas recentes na região exigem reforço nos cuidados contra o mosquito, já que a água parada se torna um ambiente propício para a proliferação do inseto transmissor.



