Acre registra aumento alarmante de síndromes respiratórias com 265 notificações
Acre tem surto de SRAG com 265 casos e mortes por influenza

Acre enfrenta surto de síndromes respiratórias com notificações em alta e alerta da saúde

O estado do Acre está em alerta devido a um aumento significativo nas síndromes respiratórias, com 265 notificações registradas em menos de dois meses, segundo dados oficiais. Este número representa um crescimento de quase 100% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 133 notificações até 8 de fevereiro de 2025.

Mortes por influenza e rinovírus acendem sinal de alerta

Entre os casos graves, três óbitos foram confirmados, incluindo duas mortes na cidade de Feijó, no interior do Acre. As vítimas são uma mulher de 59 anos e uma criança indígena de 6 anos, que buscaram atendimento médico entre os dias 4 e 6 de janeiro. Exames laboratoriais detectaram a presença de influenza A e rinovírus nesses casos.

Elaine Souza, coordenadora do Núcleo Epidemiológico de Feijó, destacou que a incidência de influenza tem sido predominante nos exames coletados. "Em outros exames que foram coletados, a incidência está sendo maior para influenza", afirmou ela, reforçando a gravidade da situação.

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Contraste com tendência nacional e alta ocupação de UTIs

Enquanto o Brasil como um todo registra uma queda nas notificações de síndromes respiratórias, o Acre se destaca como uma exceção preocupante. De acordo com o Boletim InfoGripe da Fiocruz, o estado está entre os da região Norte que contrariam a tendência nacional, ao lado de Amazonas, Roraima e Rondônia.

O aumento dos casos tem levado a um alto índice de internação em leitos de UTI na rede pública, pressionando o sistema de saúde local. Esse cenário é motivado principalmente pelo número de pessoas que desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Principais vírus identificados e grupos de risco

As autoridades de saúde identificaram que os principais vírus respiratórios em circulação no Acre incluem:

  • Covid-19
  • Influenza A
  • Adenovírus
  • Vírus sincicial respiratório (VSR)

No Acre e no Amazonas, o aumento dos casos é atribuído à influenza A, que afeta jovens, adultos e idosos, e ao VSR, que atinge principalmente crianças pequenas. Dezenas de notificações ainda estão sob investigação para determinar os agentes causadores.

Cobertura vacinal baixa preocupa especialistas

A situação é agravada pela baixa adesão à campanha de vacinação contra a gripe. Renata Quiles, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações no Acre (PNI), revelou que a cobertura vacinal está em apenas 22%, muito abaixo do esperado.

Com uma meta de imunizar 300 mil pessoas, apenas 38 mil dentro do grupo prioritário receberam a vacina. "Isso nos preocupa, principalmente com o idoso, a gestante e a criança, que são os grupos de risco e a procura é cada vez menor", alertou Quiles.

Campanha de vacinação e peculiaridades regionais

No Acre, a campanha de vacinação contra a gripe ocorre tradicionalmente no mês de setembro, devido às peculiaridades climáticas da região. Tatianna Potella, pesquisadora do InfoGripe da Fiocruz, reforçou a importância da imunização: "A gente pede que as pessoas dos grupos prioritários, como idosos e pessoas com comorbidades, que tomem a vacina contra a influenza. Lembrando que a campanha de vacinação contra a gripe já começou na região Norte".

As autoridades de saúde continuam monitorando a situação e alertam a população para os cuidados preventivos, como a vacinação e medidas de higiene, diante do cenário preocupante de síndromes respiratórias no estado.

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