Acre registra 240 novos casos de hanseníase em 2025 e reforça alerta do Janeiro Roxo
Acre tem 240 novos casos de hanseníase em 2025

Acre registra 240 novos casos de hanseníase em 2025 e reforça alerta do Janeiro Roxo

O Acre encerrou o ano de 2025 com 240 novos casos de hanseníase, conforme dados divulgados pelo programa estadual dedicado ao controle da doença. Esse número acende um sinal de alerta e reforça a importância da campanha Janeiro Roxo, iniciativa que busca conscientizar a população sobre a necessidade do diagnóstico precoce, do tratamento gratuito disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e do combate ao estigma que ainda afasta muitos pacientes dos serviços de saúde.

Com os registros mais recentes, o estado agora ocupa a oitava posição no ranking nacional e a quarta na Região Norte, apresentando uma taxa de aproximadamente 16 casos para cada 100 mil habitantes. Em comparação com o ano anterior, quando foram contabilizados 170 novos casos, houve um aumento significativo nas notificações, indicando uma maior detecção da doença.

Crescimento relacionado à ampliação da vigilância

De acordo com Suilany Souza, responsável pelo programa de hanseníase no Acre, o crescimento nos números está diretamente ligado à ampliação das ações de vigilância e à busca ativa por casos nos municípios. “O aumento das notificações mostra que o diagnóstico está chegando mais cedo à população. Quando fortalecemos a informação e o acesso aos serviços de saúde, os casos aparecem e podem ser tratados”, explicou a especialista.

A hanseníase é uma doença infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas mais comuns incluem manchas esbranquiçadas ou avermelhadas pelo corpo, geralmente acompanhadas de perda de sensibilidade. Elson Dias, coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), alerta que qualquer sinal suspeito deve ser investigado prontamente. “Ao surgir uma mancha dormente, a pessoa precisa procurar uma unidade de saúde. A hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito pelo SUS. Quando o diagnóstico é tardio, pode haver sequelas”, destacou.

Preconceito e marcas sociais profundas

A hanseníase pode deixar marcas físicas e sociais profundas, especialmente devido ao preconceito histórico associado à doença. No Acre, mais de 1,5 mil pessoas já foram beneficiadas por políticas públicas voltadas às vítimas da segregação provocada pela hanseníase no passado. Uma dessas histórias é a de João Pereira, aposentado que começou a apresentar sintomas ainda na infância. Diagnosticado aos nove anos, ele foi afastado da família e viveu isolado em Boca do Acre até os 18 anos. “O preconceito foi pior do que a doença. As pessoas não deixavam eu chegar perto, nem tomar banho com a minha mãe”, relembrou.

As consequências da exclusão social também atingiram familiares, como Marilza Assis, voluntária do Morhan. Ela foi separada do pai quando tinha apenas seis meses de vida, após ele ser afastado da família por causa da hanseníase. Sem apoio e enfrentando rejeição, a mãe dela acabou doando as filhas para outra família. “Não tive oportunidade de estudar quando era criança. Só fui para a escola aos 34 anos. Hoje, aos 55, sinto que estou vivendo minha vida agora”, contou Marilza.

Informação como ferramenta para quebrar o estigma

Para os profissionais envolvidos no enfrentamento da doença, a informação é uma das principais ferramentas para quebrar o estigma. Suilany Souza reforça que ampliar o conhecimento da população e dos profissionais de saúde é essencial para garantir o acesso ao tratamento. “Quando a gente leva informação, a gente quebra o preconceito. A hanseníase tem tratamento, não é transmitida por contato esporádico e não pode continuar afastando pessoas do cuidado”, completou.

A campanha Janeiro Roxo segue como um importante aliado na luta contra a hanseníase, promovendo a conscientização e incentivando a busca por diagnóstico precoce. Com o aumento das notificações no Acre, fica evidente a necessidade de continuar fortalecendo as ações de saúde pública para controlar a doença e reduzir seu impacto social.