Acidentes de trânsito custam R$ 167 milhões ao SUS em três cidades do interior de SP
Acidentes custam R$ 167 milhões ao SUS em cidades de SP

Acidentes de trânsito geram custo milionário ao SUS em cidades do interior paulista

Um levantamento do Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga) revela que os acidentes de trânsito nas cidades de Araraquara, Rio Claro e São Carlos, no interior de São Paulo, custaram quase R$ 170 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS) apenas no ano passado. Entre janeiro e dezembro de 2023, foram registrados 1.281 acidentes nessas três localidades, resultando em um gasto público superior a R$ 167 milhões com atendimento médico e hospitalar.

Dados alarmantes e impacto financeiro

Araraquara lidera o ranking com o maior número de mortes no trânsito, totalizando 35 óbitos, e também com o maior custo ao SUS, ultrapassando R$ 60 milhões em despesas. Em Rio Claro, foram 33 vidas perdidas em sinistros, enquanto São Carlos contabilizou 26 mortes. Esses números evidenciam a dimensão do problema que afeta não apenas as vítimas e suas famílias, mas também os cofres públicos.

Histórias reais de vítimas e sequelas duradouras

A atendente Vanessa Cristina Alves da Silva é uma das vítimas que sentiu na pele as consequências da imprudência no trânsito. Em dezembro do ano passado, em São Carlos, ela seguia de moto para o trabalho quando foi atropelada por um veículo em alta velocidade, que havia sido furtado pouco antes. "Só escutei o barulho de carro vindo a mil, apaguei. Abri o olho, eu estava no chão", relata Vanessa, que fraturou a patela da perna esquerda e está de repouso devido à lesão. Esta é a terceira vez que ela se torna vítima de acidente por falha de outros motoristas.

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Outro caso emblemático é o da técnica de logística Joyce Bernardo, que sofreu um acidente em Araraquara. Ela machucou uma vértebra, fraturou o fêmur e, mesmo após três meses, continua com dificuldades de locomoção. "Eu estava seguindo só minha rotina normal, passando por uma via aqui de Araraquara mesmo, normalmente, que eu já estava acostumada passar e eu fui atingida por um veículo em alta velocidade", conta Joyce, que já realizou mais de 20 sessões de fisioterapia e segue em acompanhamento neurológico, sem previsão de alta.

Impacto na saúde pública e custos elevados

Médicos ortopedistas que atuam na linha de frente destacam os desafios e os altos custos envolvidos no tratamento das vítimas. Rafael Ferreira, que trabalha no Hospital Carlos Fernando Malzoni, em Matão, relata que a maioria dos pacientes atendidos são do SUS e menciona casos graves, como amputações. "É frustrante porque a gente não consegue devolver a função que tinha antes para o paciente", afirma.

Já o ortopedista Lucas Alcaide Thomaz cita o exemplo de um paciente que ficou internado mais de 30 dias e utilizou um antibiótico que custava cerca de R$ 1 mil por ampola, com três doses diárias, totalizando mais de R$ 90 mil apenas com medicamentos. Esses dados ilustram como os acidentes sobrecarregam o sistema de saúde e consomem recursos que poderiam ser direcionados para outras áreas.

Redução nos números e fatores humanos

Apesar dos dados preocupantes, o secretário de Mobilidade Urbana de São Carlos, Sebastião Batista, afirma que houve uma redução de 31% no número de acidentes e 25% no número de óbitos na cidade. Ele ressalta que mais de 90% dos sinistros estão associados ao fator humano, especialmente na faixa etária entre 18 e 25 anos, quando as pessoas estão em sua fase produtiva. "A gente sabe que, hoje, a maioria dos acidentes é na faixa etária ali entre os 18 e 25 anos, exatamente quando a pessoa está na sua fase produtiva", explica Batista.

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Conclusão: um problema de saúde pública

Os acidentes de trânsito nas cidades de Araraquara, Rio Claro e São Carlos representam um grave problema de saúde pública, com custos milionários ao SUS e impactos profundos na vida das vítimas. As histórias de Vanessa e Joyce exemplificam as sequelas físicas e emocionais que podem perdurar por meses ou até anos. Enquanto autoridades buscam medidas para reduzir os índices, a conscientização sobre a imprudência no trânsito se mostra essencial para prevenir novas tragédias e aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde.