OMS revela: 40% dos casos de câncer no mundo são evitáveis, ligados a tabagismo e obesidade
40% dos casos de câncer evitáveis, aponta estudo global da OMS

OMS aponta que quase 40% dos casos de câncer no mundo são evitáveis

Um estudo global divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) revela que aproximadamente 37,8% dos novos diagnósticos de câncer em 2022, o equivalente a cerca de 7 milhões de casos, estão ligados a fatores de risco que poderiam ser prevenidos ou controlados. A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou 36 tipos de tumor em 185 países, cruzando dados com 30 fatores modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, infecções, poluição do ar e exposição excessiva à radiação ultravioleta.

Tabagismo lidera como principal fator de risco evitável

O tabagismo continua sendo o maior responsável por casos evitáveis de câncer no mundo, respondendo por 15,1% de todos os novos diagnósticos, o que representa mais de 3,3 milhões de casos apenas em 2022. Segundo Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas, apesar dos avanços nas políticas antitabagismo no Brasil, o problema persiste, especialmente com o aumento do uso de cigarros eletrônicos. Em seguida, as infecções associadas a tumores, como HPV, hepatite B e a bactéria Helicobacter pylori, são responsáveis por 10,2% dos casos, cerca de 2,3 milhões. O consumo de álcool está ligado a 3,2% dos diagnósticos, aproximadamente 700 mil novos casos.

Três tipos de câncer concentram metade dos casos evitáveis

O estudo destaca que quase metade de todos os casos evitáveis de câncer se concentra em três tipos de tumor: pulmão, estômago e colo do útero. O câncer de pulmão lidera com cerca de 1,8 milhão de casos atribuíveis a fatores preveníveis, principalmente o tabagismo, especialmente entre os homens. Para as mulheres, além do tabaco, a poluição do ar tem um peso significativo. O câncer de estômago soma mais de 780 mil casos, majoritariamente ligados à infecção por H. pylori, enquanto o câncer de colo do útero registra cerca de 660 mil casos, com mais de 90% associados ao HPV, vírus para o qual existe vacina.

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Diferenças entre gêneros e regiões destacam desigualdades

A análise revela disparidades importantes: entre os homens, 45,4% dos novos casos de câncer estão ligados a fatores evitáveis, com tabagismo respondendo por cerca de 23% dos diagnósticos. Já entre as mulheres, esse percentual é de 29,7%, com infecções liderando em 11% dos casos. As diferenças regionais também são marcantes: na África Subsaariana, mais de 38% dos casos em mulheres são evitáveis, enquanto no Leste Asiático, o percentual chega a 57% entre os homens. Na América Latina e Caribe, a taxa fica em torno de 28%, refletindo desigualdades no acesso a vacinação, saneamento básico e políticas de prevenção.

Desafios e estratégias para o Brasil e o mundo

No Brasil, especialistas apontam a necessidade de ampliar a cobertura vacinal contra o HPV e enfrentar a desinformação, além de combater desigualdades internas: regiões mais desenvolvidas lidam com cânceres ligados à obesidade, enquanto o Norte e Nordeste enfrentam tumores relacionados à falta de saneamento. O estudo reforça que a prevenção, por meio de medidas como controle do tabaco, vacinação e hábitos saudáveis, é a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade por câncer, aliviando a pressão sobre os sistemas de saúde e melhorando a qualidade de vida.

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