São Paulo atinge marca trágica com 12ª morte por metanol em bebidas alcoólicas falsificadas
O estado de São Paulo registrou oficialmente a 12ª morte decorrente de intoxicação por bebida alcoólica "batizada" com metanol, conforme boletim divulgado pelo governo paulista nesta quarta-feira (4). A nova vítima fatal é um jovem de 26 anos, residente no município de Mauá, na região da Grande São Paulo.
Detalhes do caso mais recente e investigação epidemiológica
Segundo informações apuradas, o jovem foi inicialmente atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e posteriormente transferido para o Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini no dia 20 de janeiro deste ano. O óbito ocorreu em 29 de janeiro, após quase dez dias de internação. A investigação epidemiológica conduzida pelo município indicou que o consumo de vodca adulterada foi o provável causador da intoxicação.
Em nota oficial, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou que, até o momento, existem 52 casos confirmados de intoxicação por metanol, sendo 12 deles resultando em óbitos. Outras quatro mortes permanecem sob investigação pelas autoridades sanitárias:
- Um paciente de 39 anos em Guariba
- Um paciente de 31 anos em São José dos Campos
- Dois pacientes em Cajamar, com 29 e 38 anos
Além dos casos confirmados e em investigação, 570 casos foram descartados após análise laboratorial.
O perigo invisível: metanol e seus efeitos no organismo humano
O metanol é um tipo de álcool utilizado principalmente em aplicações industriais, como solventes e produtos químicos diversos. Quando ingerido, mesmo em pequenas quantidades, apresenta extrema periculosidade para a saúde humana. Inicialmente, a substância ataca o fígado, que a metaboliza em compostos tóxicos que comprometem seriamente a medula óssea, o cérebro e o nervo óptico.
Entre as consequências mais graves da intoxicação por metanol estão:
- Cegueira permanente ou temporária
- Coma profundo
- Insuficiência pulmonar aguda
- Insuficiência renal grave
- Óbito em casos mais severos
Lista completa das vítimas fatais confirmadas
Além do jovem de Mauá, outras onze pessoas perderam a vida devido à intoxicação por metanol em bebidas adulteradas no estado de São Paulo:
- Ricardo Lopes Mira, 54 anos, residente na capital paulista
- Marcos Antônio Jorge Júnior, 46 anos, residente na capital paulista
- Marcelo Lombardi, 45 anos, residente na capital paulista
- Bruna Araújo, 30 anos, moradora de São Bernardo do Campo
- Daniel Antonio Francisco Ferreira, 23 anos, morador de Osasco
- Leonardo Anderson, 37 anos, morador de Jundiaí
- Cleiton da Silva Conrado, 25 anos, morador de Osasco
- Rafael Anjos Martins, 27 anos, residente na capital paulista
- Jhenifer Carolina dos Santos Gomes, 27 anos, moradora de Osasco
- Felipe Henrique Alves da Silva, 26 anos, morador de Sorocaba
- Eduardo Barbosa, 62 anos, morador de São Bernardo do Campo
Ação policial e investigações em andamento
A Polícia Civil de São Paulo, através do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), mantém investigações ativas para identificar toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no território estadual. Desde o surgimento dos primeiros casos de contaminação, as operações policiais resultaram em:
- 46 pessoas presas por envolvimento na falsificação e adulteração de bebidas
- Total de 66 prisões realizadas em 2025
- Apreensão de 140 mil vasilhames utilizados na falsificação
- Confisco de 22,5 mil garrafas de bebidas suspeitas
- Appreensão de 481,5 mil itens utilizados na falsificação, incluindo rótulos e lacres fraudulentos
O Instituto de Criminalística já concluiu 149 análises técnicas envolvendo 1.055 garrafas de bebidas suspeitas. Dessas, a presença de metanol foi confirmada em oito investigações, totalizando 19 garrafas contaminadas com a substância tóxica.
Sintomas de intoxicação e orientações para a população
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo emitiu recomendações para que bares, empresas e estabelecimentos comerciais redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos alcoólicos oferecidos ao público. Entre os principais sintomas de intoxicação por metanol estão:
- Ataxia (perda de coordenação motora)
- Sedação e desinibição anormais
- Dor abdominal intensa
- Náuseas e vômitos persistentes
- Cefaleia (dor de cabeça severa)
- Taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos)
- Convulsões em casos mais avançados
- Visão turva ou embaçada
As autoridades sanitárias alertam que esses sintomas são particularmente preocupantes quando surgem após o consumo de bebidas de procedência desconhecida ou duvidosa. Em caso de suspeita de intoxicação, é fundamental buscar atendimento médico de emergência imediato.
Canais de apoio e informações para a população
Para localizar o serviço de saúde mais próximo, a população pode utilizar a plataforma digital de busca por unidades de saúde. Além disso, o Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) oferece suporte especializado para diagnóstico e orientação através dos seguintes canais:
- Telefone fixo: (11) 5012-5311
- Telefone gratuito: 0800 771 3733
O governo de São Paulo também anunciou a criação de uma força-tarefa especial para apurar todos os casos de intoxicação por metanol no estado, demonstrando a gravidade com que as autoridades estão tratando esta crise de saúde pública.



