Sorocaba oferece apoio psicológico gratuito para desempregados enfrentarem ansiedade e insônia
Apoio psicológico em Sorocaba ajuda desempregados com saúde mental

Projeto em Sorocaba oferece acolhimento emocional para desempregados enfrentarem crise na saúde mental

O desemprego no Brasil atinge uma marca preocupante de aproximadamente 6 milhões de pessoas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao terceiro trimestre do ano passado. Diante desse cenário desafiador, a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, implementou uma iniciativa pública voltada para o acolhimento emocional de indivíduos que enfrentam dificuldades na busca por recolocação profissional.

Encontros semanais discutem os impactos psicológicos da falta de emprego

O projeto denominado "Desperte sua força" promove encontros semanais nas dependências da Casa do Trabalhador, localizada no centro da cidade. As sessões são mediadas pela psicóloga Larissa Gonçalves, que enfatiza que o desemprego transcende a esfera econômica, gerando consequências emocionais profundas na vida dos cidadãos.

"O desemprego influencia todas as áreas da vida. Quando uma pessoa está desempregada, a vida social dela também fica fragilizada. O convívio com a família e as atividades de lazer são afetados. É um sofrimento que perpassa o cotidiano em diversas frentes", explica a especialista.

Sintomas comuns: ansiedade, frustração e insônia

Nos encontros do projeto, os participantes frequentemente relatam experiências marcadas por ansiedade e frustração. A repetição de processos seletivos sem retorno positivo pode desencadear sentimentos de angústia e uma gradual perda de esperança no futuro.

"Essa ansiedade começa a acontecer diariamente e, junto dela, vem essa frustração. São os sentimentos que mais aparecem para a gente. É importante destacar que, mesmo após conseguir a tão sonhada vaga, a pessoa pode necessitar de acompanhamento psicológico para tratar os sintomas desenvolvidos nesse período de transição", complementa Larissa Gonçalves.

História real: a jornada de Suzana Oliveira

A realidade desses sintomas foi vivida de perto por Suzana Oliveira, de 41 anos. Após três anos atuando como prestadora de serviços, ela precisou pedir demissão para dedicar-se aos cuidados da mãe, que enfrentava sérios problemas de saúde.

"Saí em outubro do meu último emprego e já estava com a saúde mental abalada. Fiquei um tempo em casa, tentando estabilizar minha saúde, cuidar da minha mãe, e, em dezembro, comecei a procurar emprego. Saí sem nenhum objetivo, pensando: 'O que eu vou fazer agora?'. Mexeu bastante comigo, mexeu bastante com o psicológico mesmo", relata Suzana.

Embora tenha permanecido desempregada por poucos meses e já tenha sido aprovada em um processo seletivo com início previsto para janeiro, a incerteza sobre o futuro trouxe um sofrimento intenso que afetou até mesmo seu padrão de sono.

"Passa um milhão de coisas na cabeça. Você não sabe como vai ser o amanhã, porque está entregando um monte de currículo sem retorno. Foi um período bem complicado. Acordar todos os dias, depois de trabalhar a vida toda, de repente você acorda e não tem para onde ir, não tem rotina, e sabe que as contas vão chegar. O sono é afetado. Eu estava dormindo duas, três horas por noite, pensando: 'Como que eu vou pagar as contas?'", desabafa.

Suzana acrescenta que a situação foi repentina e que ela não estava preparada financeiramente ou psicologicamente para lidar com a transição.

Estratégias para enfrentar o período de desemprego

A psicóloga Larissa Gonçalves orienta que enfrentar as incertezas exige organização emocional, assim como o processo de busca por vagas. Ela recomenda a adoção de pequenos passos para manter a autoestima e o bem-estar.

"A organização pode ser feita em pequenos passos. Porque, às vezes, a pessoa coloca um objetivo muito grande ou entende que, se ela não tiver um emprego, nenhuma das outras áreas da vida importa. Então, precisa se manter ativa, cuidar da autoestima, acordar e fazer algo que vá potencializar o dia, seja uma coisa pequena. Sempre fazer essa manutenção da própria vida, porque é isso que vai fazer ela conseguir caminhar e se organizar nessa busca por trabalho", afirma.

Para tentar driblar a ansiedade, Suzana Oliveira aproveitou o tempo livre para realizar cursos de qualificação profissional gratuitos encontrados na internet, uma estratégia que ajudou a ocupar a mente e adquirir novos conhecimentos.

A importância do diálogo e do compartilhamento de experiências

Para a psicóloga, espaços de diálogo entre pessoas que vivenciam situações semelhantes são fundamentais para o cuidado com a saúde mental. Ela destaca que o desemprego envolve diversas violências psicológicas, opressões e discriminações, especialmente raciais, durante entrevistas.

"Elas têm a necessidade de falar sobre essa jornada que estão enfrentando. Quando a pessoa compartilha, ela consegue falar sobre e entender que não é a única vivendo aquilo. A sociedade ainda não faz essa ligação do tanto de sofrimento psíquico que envolve o desemprego", ressalta Larissa.

Informações práticas sobre o projeto

Os encontros do programa "Desperte sua força" ocorrem às quartas-feiras, das 10h às 11h, na Casa do Trabalhador, localizada na Rua Coronel Cavalheiros, 353, no Centro de Sorocaba. A participação é gratuita e não exige inscrição prévia, sendo aberta a todos os interessados.

Entendendo o conceito de desemprego

Segundo o IBGE, são consideradas desempregadas as pessoas em idade de trabalhar (a partir dos 14 anos) que não exercem atividade remunerada, estão disponíveis para assumir um emprego e buscam ativamente uma vaga. Portanto, não basta estar sem trabalho para ser classificado como desempregado. Conforme a metodologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), estudantes e donas de casa que não procuram emprego são classificados como fora da força de trabalho, enquanto quem atua por conta própria ou empreende é considerado ocupado.