Tragédia em Minas: Menino de 10 anos morre após atendimento em UPA da Grande BH e caso gera revolta
Menino de 10 anos morre após atendimento em UPA de MG

Era pra ser mais um dia comum. Kauã Vinicius de Paula, um garoto de apenas dez anos, cheio da vida e dos sonhos típicos da infância, começou a passar mal na tranquila Venda Nova. A febre insistente e uma tosse que não dava trégua assustaram a família, que não pensou duas vezes: levaram o menino direto para a UPA do bairro Jardim Felicidade, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.

O que se seguiu, no entanto, foi um daqueles pesadelos que nenhum pai ou mãe deveria viver. A família relata, com a voz embargada pela dor e por uma indignação profunda, que o atendimento foi… bem, pra ser sincero, foi um desastre. Eles contam que esperaram por horas a fio. Horas! Enquanto o estado de Kauã, longe de melhorar, só piorava. A falta de ar se instalou, transformando cada respiro numa batalha visivelmente angustiante.

E o pior? A alegação de que não havia pediatra no local. Um menino de dez anos, em claro sofrimento respiratório, e a justificativa esbarra na falta do profissional mais adequado para atendê-lo. É de cortar o coração, não é? A situação ficou tão crítica que a própria família, vendo a inércia, decidiu tirar Kauã dali às pressas e correr para um hospital particular. Mas, infelizmente, já era tarde demais.

Uma Perda Irreparável e uma Busca por Respostas

Kauã não resistiu. Ele morreu no caminho, ainda no carro, antes mesmo de conseguir o socorro que tanto precisava. A causa da morte, segundo o laudo preliminar que a gente teve acesso, foi uma parada cardiorrespiratória. Só que isso é a consequência final, o ponto final de uma cadeia de eventos trágicos. A pergunta que fica, e que dói na alma, é: o que levou a essa parada? O que não foi feito a tempo?

O sepultamento foi na última quinta-feira (28), no Cemitério Parque da Colina, em Ribeirão das Neves. Uma cerimônia pequena, íntima, carregada de um peso e uma tristeza que são quase palpáveis. parentes e amigos se despediram de um pedaço de seu futuro, diante de uma perda que parece tão… evitável. Essa é a palavra que custa a sair da cabeça. Evitável.

O Outro Lado da Moeda e a Promessa de Apuração

Diante da comoção e da revolta que o caso gerou, a Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) — que administra a UPA — se manifestou. Eles confirmaram, em uma nota, que o menino foi, de fato, atendido na unidade. No comunicado, afirmam que cumpriram o protocolo e que encaminharam o caso para a central de regulação, que seria responsável por autorizar a transferência.

Mas aí é que tá. Existe um abismo gigantesco entre o que está no protocolo escrito e a realidade crua que a família viveu. A demora, a sensação de desamparo, a falta de um pediatra… tudo isso cria uma névoa de dúvidas sobre a efetividade desse tal protocolo. A Fhemig diz que abriu um processo administrativo para apurar todos os detalhes. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais também prometeu apurar o caso. São promessas de investigação que, pra família, soam como o mínimo. O mínimo que se espera.

Enquanto os relatórios não saem, o que resta é uma criança que se foi. Uma família destruída. E uma comunidade inteira se perguntando até quando histórias como a de Kauã vão continuar se repetindo pelo país. É um baque. Um daqueles casos que te fazem perder um pouco a fé nas coisas.