Criança de 1 ano supera amputações e desvio de doações para dar primeiros passos com próteses
Criança supera amputações e desvio de doações para caminhar com próteses

Criança de Alagoas supera amputações e desvio de doações para dar primeiros passos com próteses

Noah Gabriel, uma criança de apenas 1 ano natural de Murici, em Alagoas, está conquistando um marco emocionante em sua recuperação: começou a dar os primeiros passos com o auxílio de próteses durante sessões de reabilitação em São Paulo. O menino teve as mãos e os pés amputados após complicações graves provocadas por uma pneumonia no final de 2025, um período em que enfrentou oito paradas cardíacas em um único dia, resultando em necrose nas extremidades.

Tratamento e adaptação às próteses

Desde o incidente, Noah segue em tratamento intensivo e reabilitação constante. Sua mãe, Mikaelle Christina, relatou ao g1 que as próteses atualmente utilizadas foram doadas, mas precisaram ser fabricadas sob medida devido ao caso atípico. "Essa prótese foi doada no ano passado, mas como é um caso bem atípico não tinha o pezinho do tamanho dele. Foi encomendado e demorou um pouco. Viemos para São Paulo e passamos cerca de 20 dias aqui para fazer todo esse processo", explicou Mikaelle.

A viagem para o tratamento contou com o apoio da gestão municipal de Murici, demonstrando um esforço coletivo para auxiliar a família. No entanto, mesmo com os avanços, Noah ainda necessita de apoio para caminhar, pois a ausência das mãos dificulta significativamente o equilíbrio e a adaptação às próteses. "Ele ainda não consegue andar sozinho porque não tem equilíbrio. Não é só a prótese dos pés que falta. Ele também não tem as mãozinhas, então é difícil segurar nas coisas e fazer força para andar. É bem desafiador", detalhou a mãe.

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Repercussão do caso e desvio de doações

O caso ganhou ampla repercussão nacional após a mãe denunciar que parte do dinheiro arrecadado em campanhas solidárias para o tratamento do filho teria sido desviada. O pai da criança, João Victor dos Santos Oliveira, foi preso em Murici sob suspeita de desviar aproximadamente R$ 113 mil das doações. Segundo investigações policiais, ele teria utilizado o montante em apostas virtuais, deixando apenas R$ 300 na conta destinada ao tratamento de Noah.

Uma conta bancária foi aberta em nome do pai para viabilizar as doações, uma vez que a mãe acompanhava o filho durante o período mais crítico da internação. A defesa de João Victor não havia se manifestado até a última atualização da reportagem. Para Mikaelle, a descoberta do desvio causou um impacto devastador, já que o dinheiro seria essencial para garantir o tratamento contínuo do filho. "Quando eu soube que o dinheiro tinha sido gasto, foi um impacto muito grande. Eu contava com esse dinheiro para o futuro do Noah e também do meu outro filho, que é autista", desabafou.

Desafios financeiros e esperança no desenvolvimento

Os custos do tratamento são elevados, e as próteses precisam ser substituídas frequentemente devido ao crescimento da criança. "Prótese é muito cara e ele precisa trocar a cada um ou dois anos. Hoje estamos sobrevivendo de doações, porque eu também não consigo trabalhar", afirmou Mikaelle. A criança requer sessões constantes de fisioterapia para continuar evoluindo, um acompanhamento que, segundo a mãe, deve durar por toda a vida. "O Noah vai precisar de fisioterapia a vida toda, porque usar prótese é uma luta diária".

Apesar das adversidades, o desenvolvimento de Noah tem sido uma fonte de esperança para a família. "O dia a dia do Noah é mágico. O desenvolvimento dele está sendo ótimo", celebrou Mikaelle. A história de superação desta criança alagoana, que enfrentou amputações, complicações médicas graves e até mesmo o desvio de recursos destinados à sua saúde, continua a inspirar e a chamar atenção para a importância do apoio social e da transparência em campanhas de arrecadação.

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