Um problema de saúde pública e desigualdade social atinge milhões de brasileiras: a pobreza menstrual. Dados alarmantes revelam que aproximadamente 15 milhões de mulheres no país não têm acesso adequado a produtos básicos de higiene menstrual, como absorventes. Esta realidade, além de representar uma violação de direitos, traz sérias consequências para a saúde física, mental e social.
O que é a pobreza menstrual e suas consequências
A pobreza menstrual vai muito além da simples falta de dinheiro para comprar um pacote de absorventes. Ela se caracteriza pela ausência de recursos, infraestrutura e conhecimento para que mulheres e meninas possam gerir sua menstruação de forma digna e segura. Muitas são obrigadas a improvisar com pedaços de pano, jornal, papelão ou até mesmo miolo de pão, soluções que estão longe de ser higiênicas.
As implicações dessa privação são graves. Na saúde, o uso de materiais inadequados aumenta o risco de infecções urinárias e ginecológicas, como a candidíase e a vaginose bacteriana. No aspecto social, a falta de um item básico gera constrangimento, leva ao absenteísmo escolar e ao afastamento do trabalho, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão. É uma questão que afeta diretamente a autoestima e a liberdade de ir e vir de uma parcela significativa da população.
A resposta do Ministério da Saúde
Diante desse cenário crítico, o Ministério da Saúde implementou um programa federal com o objetivo de mitigar os efeitos da pobreza menstrual. A iniciativa garante a distribuição gratuita de absorventes higiênicos para mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica, incluindo aquelas em situação de rua, presidiárias, estudantes de baixa renda da rede pública e pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O programa funciona por meio da articulação com estados e municípios, que são responsáveis por fazer a aquisição dos produtos e organizar a logística de distribuição em unidades de saúde, escolas e outros equipamentos públicos. A medida é um passo importante no reconhecimento da menstruação como uma questão de saúde pública e no combate à desigualdade de gênero.
Um desafio que vai além da distribuição
Apesar da existência do programa governamental, especialistas alertam que resolver a pobreza menstrual exige uma abordagem mais ampla. A distribuição de absorventes é fundamental, mas precisa vir acompanhada de educação menstrual para quebrar tabus e estigmas seculares.
É necessário discutir abertamente o tema nas escolas, nas famílias e na mídia, normalizando um processo biológico natural. Além disso, políticas de geração de renda e combate à pobreza extrema são a base para que as mulheres tenham autonomia para cuidar de sua saúde de forma integral. A isenção de impostos sobre os absorventes, tratados como itens de primeira necessidade, também é uma reivindicação constante de movimentos sociais.
A data da notícia original, 09 de janeiro de 2026, serve como um marco para reforçar a urgência do tema. Enfrentar a pobreza menstrual é garantir dignidade, saúde e igualdade de oportunidades para milhões de brasileiras, em um esforço que deve ser contínuo e coletivo.