Um estudo científico de longo prazo trouxe novas evidências sobre os benefícios das oleaginosas para a saúde cardiovascular. A pesquisa, conduzida pela Loma Linda University Health, na Califórnia, sugere que o consumo regular de nozes, amêndoas e castanhas-de-caju pode estar associado a uma redução significativa no risco de morte por problemas no coração.
Metodologia: acompanhando hábitos saudáveis por mais de uma década
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram dados do Adventist Health Study-2, que monitora a saúde de mais de 80 mil membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados Unidos e no Canadá. O período de acompanhamento foi de aproximadamente 11 anos.
Montry Suprono, autor principal do estudo, explicou a escolha desse grupo. "Em muitas populações, comportamentos nocivos aparecem com mais frequência e acabam embaralhando a relação entre dieta e doença", disse ao jornal da universidade. "Ao focar nos hábitos de pessoas adventistas, que geralmente não fumam, consomem pouco álcool e têm uma alimentação baseada em vegetais, conseguimos enxergar melhor o impacto da alimentação na saúde."
A dieta dos participantes foi avaliada por meio de questionários detalhados, permitindo analisar tanto o consumo total de oleaginosas quanto o consumo específico das chamadas "nozes de árvore".
Resultados impressionantes: redução de risco que chega a 27%
Durante os anos de estudo, ocorreram mais de 4 mil mortes por doenças cardiovasculares e pouco mais de 1,5 mil por doença isquêmica do coração, condição por trás de infartos.
Os resultados mostraram uma associação clara entre maior frequência de consumo e menor risco de morte. Na análise que considerou todas as oleaginosas (incluindo amendoim e manteiga de amendoim), os maiores consumidores tiveram um risco 14% menor de morte por doenças cardiovasculares e 19% menor de morte por doença isquêmica do coração, comparados àqueles que raramente ou nunca consumiam.
Quando a análise se restringiu apenas às oleaginosas que crescem em árvores – como amêndoas, nozes e castanhas-de-caju, excluindo o amendoim (que é uma leguminosa) –, os benefícios foram ainda mais expressivos. Nesse grupo, a redução do risco foi de 17% para morte cardiovascular e de impressionantes 27% para morte por doença isquêmica do coração.
O estudo também analisou trocas na alimentação. Substituir carne vermelha por nozes esteve associado a uma redução de 35% a 44% no risco de morte cardiovascular. "A tendência geral das pesquisas em saúde é clara: menos carne, mais proteína vegetal", resumiu Suprono.
Como incluir nozes na rotina e limitações do estudo
Vale ressaltar que a pesquisa é do tipo observacional. Isso significa que ela identifica associações, mas não pode afirmar com certeza absoluta que o consumo de nozes é a causa direta da redução do risco. Outros fatores do estilo de vida dos participantes podem ter influenciado os resultados.
No entanto, o consenso científico é sólido quanto ao valor nutricional desses alimentos. Nozes e castanhas são ricas em fibras, magnésio, vitaminas e gorduras insaturadas, componentes reconhecidamente benéficos para a saúde cardíaca.
Para quem quer começar a incluir esses alimentos, Suprono dá algumas dicas práticas. "Elas podem ser consumidas inteiras ou adicionadas a saladas, aveia, vitaminas ou iogurte. A recomendação é dar preferência às versões minimamente processadas, cruas e sem sal", orienta. Pequenas porções, algumas vezes por semana, já são um bom ponto de partida.
O estudo, portanto, reforça o papel das oleaginosas como aliadas da saúde do coração quando integradas a um padrão alimentar equilibrado, somando-se a outros hábitos de vida saudáveis.