Cozinhar em casa reduz risco de demência em até 70%, revela estudo japonês
Cozinhar em casa reduz risco de demência em até 70%

Cozinhar em casa pode reduzir risco de demência em até 70%, aponta pesquisa japonesa

O simples ato de preparar refeições caseiras, além de criar laços afetivos e memórias familiares, pode ser uma poderosa ferramenta na prevenção da demência. Um estudo publicado na revista científica Journal of Epidemiology & Community Health revelou que cozinhar em casa pelo menos uma vez por semana está associado a uma redução significativa no risco de desenvolver a condição neurodegenerativa.

Pesquisa analisou quase 11 mil idosos japoneses

Para investigar a possível relação entre cozinhar em casa e o desenvolvimento de demência, pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 11 mil participantes com 65 anos ou mais do Japan Gerontological Evaluation Study. Os participantes responderam questionários detalhados sobre a frequência com que preparavam refeições do zero em casa e seu nível de competência culinária.

A análise mostrou que cerca de metade dos participantes cozinhava pelo menos cinco vezes por semana, enquanto um quarto não cozinhava regularmente. Os resultados foram impressionantes: cozinhar pelo menos uma vez por semana foi associado a um risco 23% menor de demência em homens e 27% menor em mulheres, em comparação com aqueles que não cozinhavam.

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Benefícios são ainda maiores para iniciantes na cozinha

O estudo revelou que os benefícios são particularmente significativos para idosos com poucas habilidades culinárias. Entre este grupo, a porcentagem de redução no risco de demência chegou a impressionantes 67% a 70%, dependendo da análise específica.

De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para esse resultado é que, para pessoas com pouca experiência na cozinha, cozinhar representa uma atividade nova e cognitivamente estimulante. "Atividades novas e produtivas, como escrever, já foram associadas ao fortalecimento da reserva cognitiva", destacam os autores do estudo.

Mecanismos por trás dos benefícios

Os pesquisadores identificaram dois principais mecanismos que poderiam explicar os resultados observados:

  1. Atividade física associada: Cozinhar frequentemente envolve movimento físico em processos como ir às compras, ficar em pé durante o preparo e manipular utensílios. Quando os pesquisadores incluíram no modelo fatores como frequência de sair de casa e tempo em pé, a associação entre cozinhar e demência diminuiu, sugerindo que parte do benefício está ligado ao movimento físico.
  2. Estímulo cognitivo: Preparar refeições envolve múltiplas funções cognitivas como planejamento, sequenciamento, memória e tomada de decisões, o que pode fortalecer as conexões neurais e criar reserva cognitiva.

Limitações e perspectivas futuras

Os pesquisadores destacam que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, apenas uma associação. Além disso, o estudo apresenta algumas limitações:

  • Casos leves de demência podem não ter sido incluídos adequadamente
  • A classificação das habilidades culinárias pode não ser precisa o suficiente para diferenciar quem não cozinha por falta de interesse de quem não consegue cozinhar
  • Fatores socioeconômicos e de saúde pré-existentes podem influenciar os resultados

Apesar das limitações, os pesquisadores são otimistas e afirmam que "criar condições para que idosos possam cozinhar pode ser uma estratégia importante na prevenção da demência". Eles ressaltam a necessidade de mais estudos para entender melhor quais mecanismos específicos do ato de cozinhar são responsáveis pela redução do risco.

Além da nutrição: o valor afetivo da comida caseira

O estudo reforça que os benefícios da comida caseira vão muito além do aspecto nutricional. Preparações caseiras tradicionais, como o feijão da mãe ou a carne assada da avó, não apenas são geralmente mais ricas em nutrientes essenciais, mas também carregam um valor afetivo que pode contribuir para o bem-estar emocional e cognitivo.

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Os pesquisadores concluem que "esses achados são consistentes com estudos anteriores que mostram que atividades produtivas estão associadas a um menor risco de declínio cognitivo ou demência em idosos", destacando a importância de manter os idosos engajados em atividades significativas e estimulantes.