Mundo corporativo é mais desafiador que o esportivo, afirma psicóloga
Mundo corporativo é mais desafiador, diz psicóloga

A psicóloga Aline Wolff, especialista em performance e doutora pela UFRJ, que acompanhou atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), como a ginasta Rebeca Andrade, traz seus aprendizados para o universo corporativo no livro "Alta Performance Sustentável", publicado pela editora Planeta. A obra propõe integrar sucesso profissional e bem-estar mental, mostrando que a saúde mental é a base para evitar o esgotamento.

Semelhanças entre o esporte e o mundo corporativo

Segundo Wolff, tanto atletas quanto profissionais de empresas perseguem metas e podem adoecer sob pressão. "O esporte deixa evidente que resultado não se constrói apenas quando estamos bem, motivados e confiantes. Resultado se constrói, principalmente, nos dias em que a pessoa está cansada, insegura e frustrada, mas encontra uma maneira de seguir", afirma.

Desafios no ambiente corporativo

Para a psicóloga, o mundo corporativo é mais difícil de atuar do que o esportivo. "No esporte, existe uma relação clara entre mente e resultado. O atleta sabe que, se não estiver bem emocionalmente, não performa. No corporativo, ainda há confusão. As empresas tratam saúde mental como algo à parte, um benefício, mas ela está dentro do trabalho, na fundação", explica.

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A gangorra entre performance e saúde mental

Wolff critica a visão de que performance e saúde mental são opostas. "Isso cria uma montanha-russa emocional: a pessoa vai bem, se esgota, adoece, se recupera e repete o ciclo. A saúde mental precisa ser a base, não um dos lados da gangorra", defende.

Autoliderança como pilar frágil

Entre os pilares da alta performance sustentável, a autoliderança é o mais fragilizado atualmente. "As pessoas têm muita informação, mas pouca clareza sobre quem são e o que querem. Sem autoliderança, vivem reagindo ao mercado, às redes sociais, aos outros. Isso cansa e impede que conduzam a própria vida", analisa.

Impacto da NR-1

Sobre a NR-1, que torna obrigatória a gestão de riscos psicossociais nas empresas, Wolff acredita que é um avanço, mas não suficiente. "Lei nenhuma muda a realidade sozinha. A mudança verdadeira é cultural, não jurídica. Se a saúde mental continuar sendo tratada como benefício, pouca coisa muda", conclui.

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