Enfermeiras de Presidente Prudente compartilham histórias de superação e dedicação
Enfermeiras de Presidente Prudente: superação e dedicação

Cuidado, escuta, apoio, “tocar o ser humano com respeito, dignidade, empatia, ciência e paixão pelo cuidar”. Esses termos definem o que é ser enfermeira, segundo as profissionais Larissa Esteves e Mariele Cancian, de Presidente Prudente (SP). Nesta terça-feira (12), data que celebra a profissão, o g1 compartilha suas histórias de dificuldades e superações, incluindo desafios pessoais.

Larissa Esteves: superando o câncer

Acostumada a cuidar de pacientes, a enfermeira Larissa Sapucaia Ferreira Esteves viu a vida mudar ao receber o diagnóstico de câncer de tireoide. A experiência como paciente transformou sua visão sobre o cuidado e a profissão. “Pensa num trem difícil! Embora todo mundo fale que é um tipo de câncer mais manso, o diagnóstico mexe muito com a gente”, conta. Ela perguntou ao médico se morreria da doença, e ele respondeu: “provavelmente não!”.

Diante do diagnóstico, Larissa, também coordenadora do curso de Enfermagem na Unoeste, decidiu viver e aprender com a situação. Ela recebeu cuidados de pessoas inesperadas. “Acabei saindo com uma sequela transitória, uma disfonia, que me impediu de dar aulas, mas isso vai passar”, afirma.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Como enfermeira, ela reflete que é comum pensar que o paciente pode fazer certas coisas, mas estando do outro lado, entendeu que o processo de adoecimento é singular. “Ficar com um dreno por cinco dias parece não ser nada, mas quem sabe como é é a pessoa dona do dreno”, diz. Ela destaca que acordar após uma cirurgia é sensacional, uma certeza de mais dias de vida.

Rede de apoio

Durante o tratamento, Larissa continuou ativa, apoiada por uma rede de apoio. Ela compartilhou o processo com alunos e professores, o que gerou boas energias. Com familiares e amigos, falar claramente sobre o câncer fez “brotar energia” em cada abraço. “Senti medo de ficar dependente, de não ver meus entes queridos, mas a entrega foi o caminho mais sensato”, relata. Ela precisou ir ao pronto-socorro após uma crise de pânico no pós-operatório, sendo acolhida por marido, filha e ex-alunos.

Missão de vida

Doutora em ciências pela Unifesp, Larissa se descreve como católica, esposa e mãe. Ingressou na faculdade aos 18 anos, inicialmente em Farmácia, mas logo se transferiu para Enfermagem. “Mal sabia que seria minha missão de vida”, afirma. Durante um estágio, ao fazer curativo em uma senhora que amputou um membro, aprendeu que o cuidado vai além da técnica. A paciente disse: “Filha, só faz com carinho que a dor vai passar”. Larissa saiu aos prantos e a professora a incentivou a agradecer o aprendizado.

Para ela, cuidar é uma missão divina. “Cada pessoa que cuido é um filho amado de Deus”, descreve. Como estomaterapeuta, cuida de feridas e incontinências. “O toque e as histórias de vida me trazem energia”, diz. Ela também atua com residência multiprofissional focada em idosos, valorizando a interdisciplinaridade.

Com sua experiência, Larissa aprendeu que cada um sabe onde o sapato aperta. “O mínimo que posso fazer é acolher a vida do outro e cuidar com responsabilidade”, afirma. Para futuros profissionais, espera ensinar que a enfermagem é do tamanho que cada um enxergar. Ser enfermeira, para ela, é “tocar o ser humano com respeito, dignidade, empatia, ciência e paixão pelo cuidar”.

Mariele Cancian: do interior à obstetrícia

Mariele Aparecida Cancian Rizzo, natural de Ribeirão dos Índios (SP), cresceu com a mãe cozinheira e o pai pedreiro. “Aprendi o valor do esforço e da dedicação”, lembra. Aos 18 anos, mudou-se para Presidente Prudente para estudar técnico de Enfermagem. A vontade de cuidar se intensificou quando uma tia enfrentou câncer e ela a acompanhou ao hospital.

No curso, a professora Daniela Primolan a incentivou. Com sua ajuda, Mariele conseguiu trabalho no Hospital Regional, na obstetrícia. “Foi transformador cuidar de mães e acompanhar nascimentos”, afirma. Ela trabalhou como auxiliar de enfermagem e, depois, iniciou a faculdade de Enfermagem na Uniesp, conciliando trabalho e estudos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Pouco antes de se formar, foi promovida no HR. Com apoio, iniciou pós-graduação em Obstetrícia na Unoeste e conquistou o cargo de enfermeira obstetra. “Minha história é de luta e oportunidades abraçadas com coragem”, diz. A locomoção era difícil: saía de casa às 5h30 e voltava à meia-noite. Uma amiga, Izaura, a levava do HR para a faculdade por cinco anos, sem pedir nada em troca.

Mariele guarda momentos emocionantes, como o parto de uma mulher que tentou engravidar por oito anos e, aos 46, teve o primeiro filho. “Ser enfermeira é cuidar do amor do outro como se fosse o seu”, finaliza.