O que é educação permissiva? À primeira vista, ser mãe e trabalhar como negociadora de sequestros internacionais são atividades que parecem completamente desconexas. No entanto, uma profissional que desempenhou ambos os papéis com maestria afirma ter aprendido valiosas lições em sua carreira policial que podem transformar a maneira de lidar com crianças em casa.
Da Scotland Yard para o lar: técnicas de negociação aplicadas à parentalidade
Nicky Perfect dedicou mais de trinta anos à Polícia Metropolitana de Londres, sendo que uma década desse período foi atuando como negociadora de crises e sequestros internacionais na Unidade de Elite de Negociação de Crises e Sequestros da New Scotland Yard. Ela revela que, muitas vezes, saber o que fazer ou dizer como pai ou mãe pode gerar uma sensação de alto risco, definindo a diferença entre manter a paz doméstica e desencadear discussões ou até mesmo colapsos emocionais.
Em entrevista exclusiva, Perfect compartilhou três técnicas refinadas sob extrema pressão que podem ajudar qualquer responsável a manter a calma e o controle durante os desafios diários da criação.
1. A arte da "escolha sem escolha"
As crianças naturalmente testam limites e frequentemente optam pelo oposto do que lhes é solicitado. Em vez de recorrer à autoridade tradicional com frases como "porque eu mandei", Nicky Perfect recomenda aplicar o truque da "escolha sem escolha".
Essa estratégia consiste em reformular a situação, continuando a oferecer uma opção, mas de maneira que a criança preserve a sensação de controle e influência sobre a decisão. Por exemplo, perguntar se preferem colocar o casaco ainda em casa ou ao sair pode fazer com que se sintam ouvidas, respeitadas e participativas, conduzindo ao mesmo resultado desejado.
Outra aplicação prática seria oferecer a uma criança que se recusa a comer verduras a alternativa entre couve ou brócolis. Embora não funcione em todas as ocasiões, essa abordagem tende a reduzir significativamente a resistência imediata e os conflitos.
2. A pausa estratégica de 90 segundos
Ao enfrentar temas sensíveis ou situações emocionalmente carregadas, Perfect aconselha aguardar noventa segundos antes de qualquer reação, impedindo assim respostas impulsivas e dominadas pelas emoções.
Ela recorda um conselho valioso de um agente do FBI: "Sua função na vida não é mudar as pessoas... Você não consegue... A única coisa que você pode escolher é como reagir." É crucial lembrar que essa escolha permanece disponível mesmo quando as emoções ameaçam sobrepujar a racionalidade.
"A reação pode ser simplesmente declarar: 'Quer saber? Estou com os nervos à flor da pele agora. Preciso sair e refletir sobre isso'", explica Perfect. "Ou, talvez, você opte por permanecer em silêncio e apenas ouvir atentamente o que eles têm a dizer."
Como madrasta, ela precisou colocar esse princípio em prática quando sua enteada expressou o desejo de passar o Natal com o pai e os irmãos, após uma mudança para longe. Internamente, Nicky desejava ardentemente que a menina ficasse, mas reconheceu a importância de "apertar o botão de pausa" e questionar: "Este é o seu Natal. É um dia na minha vida. O que você realmente quer?"
A aceitação dessa perspectiva não apenas facilitou sua própria organização para a data, como também permitiu planejar novas formas de celebração conjunta antes ou depois do feriado.
3. Compreender o ponto de vista infantil
Para Nicky Perfect, enxergar o mundo através dos olhos de outra pessoa, seja adulto ou criança, é fundamental. Essa habilidade possibilita convencer o outro sobre os benefícios de uma proposta, ao mesmo tempo em que o faz sentir verdadeiramente ouvido e considerado.
"É o chamado 'poder da negociação', pois, ao oferecer razões claras sobre por que algo deve ou não acontecer, as pessoas tornam-se mais propensas à aceitação", orienta ela. "Trata-se de reconhecer e ser genuinamente honesto. As pessoas são muito mais receptivas à sinceridade do que imaginamos."
Considere um problema comum, como as birras na hora de dormir. Frequentemente, as crianças enfrentam dificuldades com a perda de autonomia provocada pelo anúncio súbito de que é hora de ir para a cama. Uma solução eficaz, segundo Perfect, é tentar compreender como a criança se sente naquele exato momento, em vez de observar a situação apenas pela ótica adulta.
Se estiverem imersas em brincadeiras e, de repente, recebem a ordem de dormir, a decisão pode parecer abrupta e, naturalmente, causar perturbação. Sua sugestão é preparar a criança gradualmente desde a chegada em casa, integrando a rotina noturna naturalmente nas conversas e reforçando-a ao longo da noite.
Frase como "vamos jantar, assistir à televisão e, depois, é hora de dormir" oferecem uma estrutura clara e previsível. Dessa forma, a criança se sente mais envolvida e consciente do que está por vir, mesmo que não aprecie completamente a atividade. Com sorte, essa abordagem resulta em menos resistência e birras.