Futebol de botão resgata laços familiares e vira tradição semanal em Ribeirão Preto
Futebol de botão une família e vira ritual semanal em SP

Futebol de botão resgata laços familiares e vira tradição semanal em Ribeirão Preto

Dois gols, dois times e uma mesa. O que parecia ser uma paixão adormecida no sangue da família Tagliacolli, de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ressurgiu com força total, unindo novamente o patriarca Ocimir e seus filhos Lucas, de 22 anos, e André, de 19. O jogo, que marcou a infância de Ocimir há mais de quatro décadas, voltou a ganhar protagonismo em sua vida, desta vez ao lado da nova geração.

Das brincadeiras de infância ao esquecimento temporário

Ocimir recorda com carinho os tempos em que, ainda criança, se reunia com amigos para jogar futebol de botão em qualquer superfície lisa que encontrasse. "Tinha uns oito, nove anos. A gente se encontrava, assim, de sábado à tarde e domingo pra jogar, molecadinha se divertia. Onde dava pra jogar, a gente jogava, na mesa da cozinha, soleira de casa, onde estava lisinho, a gente jogava", conta ele, revivendo memórias de uma época mais simples.

Com o passar dos anos, as responsabilidades da vida adulta tomaram conta. Os estudos, o vestibular e a rotina do dia a dia afastaram Ocimir dos amigos de infância, cada um seguindo seu próprio caminho. "Em um momento da vida, a gente deu uma paradinha, ficamos adolescente. Eu já comecei a estudar pra vestibular, esses amigos, assim, que a gente tinha, que eram do botão, foram desaparecendo, cada um foi pra um lado. Mas, assim, os meus botões, eu sempre mantive eles", revela o patriarca, demonstrando que a chama do hobby nunca se apagou por completo.

O reencontro inesperado e a redescoberta do jogo

Anos mais tarde, já pai de três filhos, Ocimir tentou apresentar o futebol de botão aos mais velhos durante a infância deles. No entanto, as distrações digitais da era moderna, como tablets e outros dispositivos, capturaram a atenção das crianças, dificultando a transmissão da paixão. "Quando eu vi que eles já estavam maiorzinhos, comecei a apresentar pra eles. Aí, a gente ficava, assim, gente incentivada de jogar. Só que eles já nasceram em outra época, né? Eles já tinham tablet e outras coisas pra eles brincarem", explica Ocimir.

A virada aconteceu de forma surpreendente. Durante o período em que Lucas, o filho mais velho, morava fora para estudar, ele fez uma ligação emocionante para o pai. "Do nada, ele me ligou e falou assim: 'Pai, eu estava com a minha namorada aqui, passei numa vendinha, e achei uns joguinhos de botão'. Ele mandou uma foto para mim, e eu questionei: 'Mas o que você tá fazendo com isso aí, rapaz?'. Ele falou assim: 'Quando a gente não tiver nada pra fazer, a gente joga'", recorda Ocimir, com um sorriso no rosto.

O ritual semanal que exclui as telas e fortalece vínculos

O gesto do filho reacendeu a antiga paixão de Ocimir e despertou a curiosidade do caçula, Pedro. A prática do futebol de botão ganhou um espaço fixo na rotina familiar, especialmente aos sábados. Ocimir investiu em uma mesa oficial, que hoje ocupa metade da sala de estar, permanentemente armada e pronta para as partidas.

Um dos aspectos mais marcantes desses encontros é a ausência total de dispositivos eletrônicos. "Se eu te falar que a gente não tira nem foto, eu não estou mentindo. Então, assim, a gente fica entretido, cada um pega dois times pra jogar, e já vai dar aquela lustrada na mesa, vai polir o botão, e fica totalmente aqui, envolvido com o mundo", destaca Ocimir, enfatizando a imersão completa no momento familiar.

Da sala de casa para as competições oficiais

Além das partidas domésticas, a família Tagliacolli expandiu sua paixão para o cenário competitivo. Os três agora são membros ativos da Liga Mogiana de Futebol de Mesa e estão se preparando para um evento especial: a Copa do Mundo de Futebol de Botão, que será realizada em junho em Ribeirão Preto.

"O pessoal da liga estava em busca de jogadores, aí eu cabei entrando e a nós nos encontramos lá. Agora, surgiu a oportunidade de jogar a Copa do Mundo e aí cada um escolheu uma seleção e, por coincidência, nós três caímos na mesma chave. Vai ser especial competir entre pai e filhos", relata Ocimir, animado com a perspectiva de uma rivalidade saudável em família.

Um legado que promete atravessar gerações

Para Ocimir, a maior conquista desse retorno ao futebol de botão vai muito além das vitórias em campo. Ele acredita que a união familiar fortalecida por esses momentos será transmitida às futuras gerações, criando um legado duradouro. "Eu creio que esse hobby pode ir para as futuras gerações da família, porque na hora que você começa a jogar, o futebol de botão é apaixonante. Rola uma magia, assim, que quem olha de fora é uma bobeirinha, mas na hora que está ali, conforme que você vai jogando, vai acontecendo a jogada, cada lance é empolgante", reflete.

O patriarca finaliza com um sentimento de gratidão: "Estar unido em família realmente é show de bola, esse momento é maravilhoso para a gente aqui em casa, é muito bacana". Assim, o futebol de botão se transformou de um simples passatempo infantil em um poderoso elo de conexão familiar, provando que tradições simples podem gerar os laços mais fortes.