Cortejo emocionante em Gurupi atende último desejo de pai com modão sertanejo
Uma cena incomum e profundamente emocionante marcou o último adeus a Valdeci Alves Rodrigues, de 56 anos, em Gurupi, região sul do Tocantins. Durante o cortejo fúnebre realizado no dia 11 de fevereiro, parentes e amigos prestaram uma homenagem única ao morador, que faleceu após um acidente de trabalho: tocaram as músicas de modão sertanejo que ele tanto amava em vida.
O desejo expresso em vida
De acordo com sua filha, Sarah Araujo, a ideia de transformar o momento triste em uma celebração musical partiu do próprio Valdeci. "Sempre relatava esse desejo das músicas dele quando ele morresse, as 'modas antigas' como Di Paulo e Paulino, Gino e Geno, Renan e Raí, Chico Rei e Paraná, Eduardo Costa. Ele era apaixonado, cantava todas", revelou Sarah em entrevista.
Imagens registradas pela filha mostram uma fila de carros seguindo o veículo da funerária, acompanhada por um carro de som que tocava "Tô Por Aí", da dupla Di Paullo e Paulinho. O repertório foi cuidadosamente escolhido para refletir a personalidade vibrante e alegre de Valdeci.
Uma vida de trabalho e simpatia
Valdeci, que era natural de Araguaína mas viveu a maior parte de sua vida em Gurupi, era conhecido na cidade por seu caráter exemplar. "Era muito reconhecido pelo trabalho aqui na cidade, sempre muito caprichoso. Sempre foi muito humilde e rústico. Onde passava, as pessoas o cumprimentavam", descreveu a filha.
Sarah destacou ainda que "quem conhece ele aqui na cidade sabe como ele era tão feliz, tão alegre, uma pessoa de coração gigante, ajudava todo mundo, muito solidário". O sepultamento ocorreu no cemitério São José, na saída para Peixe.
O acidente trágico e a luta pela vida
O trabalhador, que atuava com poda de árvores, abertura de cisternas e serviços com piscinas e cercas, sofreu um grave acidente no dia 8 de janeiro de 2026. Valdeci caiu de uma árvore de aproximadamente seis metros de altura, resultando em fraturas nas vértebras da coluna cervical.
Ele lutou pela vida durante 31 dias internado no hospital, mas veio a falecer no dia 10 de fevereiro, devido a complicações decorrentes de um trauma na medula. "Ele também estava no auge da vida profissional, muito feliz, conquistando tudo que queria, realizando todos os seus sonhos. Não tinha dia triste para ele, sempre muito extrovertido, muito alegre", lamentou Sarah.
Laços familiares fortes e sonhos realizados
Pai e filha mantinham uma relação extremamente próxima. Em dezembro de 2024, Valdeci teve a alegria de ver Sarah se formar em Educação Física, um de seus maiores sonhos. "Era o sonho dele que eu me formasse. Toda vida fomos muito unidos, onde ele estava, eu estava também, sempre muito grudados", recordou a filha com carinho.
O cortejo musical não foi apenas uma despedida, mas uma celebração genuína da vida de um homem que deixou marcas positivas por onde passou. A cena, embora atípica para um funeral, representou fielmente o espírito alegre e amoroso que Valdeci cultivou durante seus 56 anos.