Alienação parental: especialista explica o que é, consequências e punições legais
Alienação parental: entenda consequências e punições legais

Alienação parental: uma prática abusiva com graves consequências legais e emocionais

A alienação parental é uma prática considerada abusiva, ilícita e que, dependendo da gravidade, pode ser caracterizada como crime. Conforme explica a advogada Ana Zélia Cavalcante, especialista em Direito de Família, em entrevista à TV Verdes Mares, essa conduta visa destruir a imagem de um dos genitores perante a criança, com o objetivo explícito de romper laços afetivos e memórias construídas ao longo do tempo. "É um ilícito civil gravíssimo", afirma a especialista, destacando a seriedade do assunto.

O que caracteriza a alienação parental e como ela se manifesta

De acordo com Ana Zélia, a alienação parental ocorre quando pai, mãe ou outro responsável passa a falar mal do outro genitor, tentando prejudicar sua imagem diante do filho. Isso pode acontecer de forma direta, com ofensas claras e explícitas, ou de maneira mais sutil e insidiosa, por meio de comentários repetidos que colocam em dúvida o caráter ou a responsabilidade do outro. Frases como "sua mãe é louca", "seu pai não quer saber de você" ou "ele nunca chega na hora" podem configurar alienação parental, dependendo do contexto e da frequência.

A omissão de informações importantes sobre a criança ao outro genitor — como dados sobre desempenho escolar, questões de saúde ou eventos significativos — também pode ser considerada uma forma de alienação, especialmente em casos de pais separados ou divorciados. A advogada ressalta que a prática não se limita a lares de pais divorciados. "Existem também situações em que a disputa está presente no interior dos lares", explica. Casais que convivem juntos e disputam a atenção da criança podem, mesmo sem perceber, adotar comportamentos característicos de alienação parental, criando um ambiente tóxico e prejudicial.

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Consequências graves para o desenvolvimento infantil

Segundo a advogada, as consequências da alienação parental são consideradas graves, tanto para a estrutura familiar quanto para o desenvolvimento da criança ou do adolescente. A Justiça costuma reconhecer indícios de alienação quando a criança passa a rejeitar um dos genitores de forma abrupta ou injustificada. Mudanças de comportamento também devem acender o alerta para pais, educadores e profissionais da saúde.

Entre os sinais citados pela especialista estão:

  • Postura mais introspectiva e isolamento social
  • Choro frequente e inexplicável
  • Comportamento infantilizado, regressivo ou inadequado para a idade
  • Recusa persistente em estar com o outro genitor
  • Falas que demonstrem repulsa, ódio ou desprezo injustificado

Em casos em que a criança ainda não verbaliza com clareza, é fundamental observar outras manifestações, como desenhos, brincadeiras e atitudes que possam indicar conflitos internos. "A criança é formada por suas raízes materna e paterna. Quando ela passa a negar essa imagem, algo de errado pode estar acontecendo", destaca Ana Zélia. A especialista ressalta que é crucial investigar a causa da rejeição: pode se tratar de uma situação real de violação ou de um quadro de alienação parental, exigindo abordagens distintas.

Punições legais e medidas judiciais aplicáveis

Dependendo da gravidade e da frequência da prática, o genitor considerado alienador pode sofrer sanções na esfera cível, incluindo:

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  1. Aplicação de multas e advertências formais
  2. Determinação de acompanhamento psicológico obrigatório para a criança
  3. Alteração ou suspensão do regime de visitas
  4. Perda da guarda ou da autoridade parental em casos extremos

Em situações mais graves, quando há imputação falsa de crime, calúnia, difamação ou outros delitos, o caso pode ultrapassar a esfera cível e chegar ao âmbito criminal, com possibilidade de processos penais e condenações. Para a advogada, o aspecto mais importante é preservar o bem-estar e o desenvolvimento saudável da criança. "No final das contas, quem mais sofre é a criança ou o adolescente", afirma. Segundo ela, os danos podem ser profundos e duradouros, com impacto psicológico e emocional significativo, afetando a base afetiva, as referências familiares e a autoestima do menor, podendo levar a traumas que persistem na vida adulta.

A alienação parental, portanto, não é apenas uma questão legal, mas um problema social que exige conscientização, prevenção e intervenção adequada para proteger os direitos e a saúde mental das crianças e adolescentes envolvidos.