O município de Iguape, localizado no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, apresenta uma curiosa contradição geográfica e demográfica. Com uma extensão territorial impressionante de 1.979 quilômetros quadrados, é o maior município em área do estado. No entanto, sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022 é de apenas 29,8 mil habitantes.
Densidade populacional extremamente baixa
Essa combinação resulta em uma densidade demográfica de aproximadamente 15 moradores por quilômetro quadrado. Para efeito de comparação, essa cifra é cerca de 500 vezes menor que a da capital paulista, onde a densidade alcança impressionantes 7,8 mil habitantes por quilômetro quadrado. A população total de Iguape não seria suficiente para ocupar nem metade dos assentos do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, que possui capacidade para 78,8 mil pessoas após as modernizações realizadas.
Comparações reveladoras
Outra comparação ilustrativa mostra que o bairro de Campo Grande, na capital carioca, possui estimativa de 352,3 mil moradores, número que representa onze vezes a população total do município paulista. Fundada em 3 de dezembro de 1538, Iguape guarda em seu território uma riqueza natural extraordinária, com cerca de 70% de sua área localizada em regiões de proteção ambiental da Mata Atlântica.
Patrimônio natural e cultural
Entre essas áreas protegidas destacam-se a Estação Ecológica dos Chauás, a Juréia-Itatins e a Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe. Em 1999, parte significativa dessas reservas foi tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, reconhecendo seu valor ecológico incomparável. Dados do IBGE de 2019 revelam que a área urbanizada do município era de apenas 7,70 quilômetros quadrados, o que equivale a meros 0,4% do território total.
Para contextualizar esse número, a capital paulista possui 914,56 quilômetros quadrados de área urbanizada em um território de 1.521 quilômetros quadrados. Já Santos, importante cidade do litoral paulista, tem 39 quilômetros quadrados urbanizados, representando cerca de 14% de sua extensão total.
Potencial turístico e demandas da população
A vocação de Iguape está intimamente ligada ao seu patrimônio natural e histórico. A cidade oferece diversas atrações como rios, trilhas, cachoeiras, estações ecológicas e casarões coloniais, sendo reconhecida oficialmente como Distrito Turístico do Estado. Seu Centro Histórico possui distinção especial como o primeiro conjunto urbano paulista protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na categoria de Paisagem Cultural.
Esse reconhecimento inclui inscrição nos Livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, garantindo preservação para futuras gerações. Durante as últimas eleições municipais, em 2024, moradores da região manifestaram claramente a necessidade de investimentos em três áreas principais: turismo, infraestrutura e transporte.
Desafios e oportunidades
Essas demandas refletem os desafios enfrentados por um município que, apesar de sua vasta extensão territorial e riquezas naturais e culturais, possui uma população relativamente pequena e dispersa. O equilíbrio entre preservação ambiental, desenvolvimento econômico e qualidade de vida para os habitantes permanece como questão central para o futuro de Iguape.
A região continua sendo um tesouro pouco conhecido do estado de São Paulo, com potencial ainda não totalmente explorado para o turismo sustentável e a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.
