Especialistas em cannabis medicinal realizam atendimento gratuito no ambulatório do Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha. A maioria dos moradores que procura tratamento deseja combater a ansiedade. Segundo os organizadores do mutirão, cerca de 70% dos pacientes atendidos na primeira etapa apresentam transtornos relacionados à ansiedade, que podem desencadear outros problemas de saúde.
Ansiedade e outros transtornos
“A ansiedade pode causar distúrbios do sono e depressão, por exemplo. Somando esses casos, chegamos a mais de 70% dos pacientes. Na ilha existe uma síndrome de isolamento, conhecida como ‘neuronha’. Isso é observado pelos médicos e pode ser tratado com cannabis”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Estudo dos Canábicos, Alexandre Machado.
Na primeira etapa do projeto, 70 pacientes foram atendidos, muitos com mais de um diagnóstico. Os principais transtornos identificados foram:
- Ansiedade: 39 pacientes
- Distúrbios do sono e insônia: 28
- Depressão: 14
- Dor crônica: 11
- Transtorno do Espectro Autista (TEA): 6
- Fibromialgia: 5
- Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): 5
Alta procura e grupos prioritários
O projeto de cannabis medicinal teve 300 moradores inscritos, mas nem todos conseguiram atendimento na primeira fase, realizada em fevereiro. A equipe retornou à ilha e promove atendimentos até sexta-feira (22), no ambulatório do Hospital São Lucas, com apoio da Administração de Fernando de Noronha. Segundo os organizadores, mesmo com a alta procura, os grupos prioritários terão atendimento garantido. “Moradores tradicionais, mães de crianças atípicas, crianças atípicas e pescadores terão atendimento gratuito. Esse é um programa permanente”, afirmou o organizador Ladislau Porto Neto.
Equipe multidisciplinar
A equipe é composta por 20 profissionais, incluindo cinco médicos. O neuropediatra Eduardo Faveret, especialista em tratamentos com cannabis medicinal, integra o grupo. “Eu atendi seis pacientes, entre mães e filhos com autismo ou TDAH. As mães apresentam ansiedade, depressão e dificuldades para dormir. Isso acontece principalmente quando a responsabilidade pelos cuidados da criança fica concentrada apenas na mãe”, afirmou o médico.
Eduardo Faveret destacou que o tratamento com cannabis medicinal pode ser mais adequado do que alguns medicamentos tradicionais. “A cannabis tem apresentado bons resultados nesses casos clínicos. Um dos motivos é o menor número de efeitos adversos em comparação com alguns medicamentos convencionais. Pela nossa experiência, o tratamento também pode ter eficácia superior à de antidepressivos”, explicou.
Depoimento de paciente
Natália Barbosa tem um filho que faz tratamento com cannabis medicinal. O garoto foi diagnosticado com TDAH. “Meu filho teve melhora no humor e está mais calmo. Esse tratamento oferecido na ilha melhorou a minha vida e a dele também”, contou.
Os interessados devem procurar o ambulatório do Hospital São Lucas até o fim da semana ou entrar em contato pelo WhatsApp, no número (11) 967222306.



