Carnaval de Olinda: Beijo na folia pode transmitir doenças como mononucleose e herpes
O Carnaval está em plena força, e muitos foliões aproveitam a celebração para trocar beijos durante a folia. No entanto, apesar de ser uma atividade que movimenta músculos, queima calorias e libera hormônios, o beijo também pode representar uma porta de entrada para diversos riscos à saúde. A troca de germes ocorre facilmente através da boca ou da saliva, criando um ambiente propício para a transmissão de doenças.
Além disso, doenças respiratórias, infecções causadas por vírus, bactérias e fungos, e até mesmo infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem ser transmitidas por meio desse contato íntimo. A notícia preocupante é que não existe um beijo completamente seguro. Quanto mais bocas diferentes uma pessoa beijar, maiores serão as chances de contrair alguma enfermidade.
A parte positiva é que, em muitos casos, a prevenção, que inclui a vacinação em dia e alguns cuidados básicos, pode ajudar a proteger os foliões. Abaixo, confira uma lista detalhada com as doenças mais comuns transmitidas pelo contato com a boca ou com a saliva, além de dicas para identificar sintomas e observar a boca de quem vai beijar.
Mononucleose: a famosa doença do beijo
A mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como febre ou doença do beijo, é causada pelo vírus Epstein-Barr, transmitido pelo contato direto com a saliva contaminada. Os sintomas são bastante semelhantes aos de outras infecções virais: a doença pode provocar febre, dor de garganta, dificuldade ao engolir e dor nas articulações, por exemplo.
A diferença principal é que a mononucleose causa inchaço no pescoço, nos gânglios, e nos olhos, um fenômeno chamado de sinal de Hoagland, além de manchas brancas na garganta, conhecidas como placas. A doença também pode se manifestar de forma assintomática, sem apresentar sinais visíveis.
A mononucleose tem um pico de incidência maior na faixa etária de 15 a 25 anos. Nos casos mais graves, pode provocar inchaço no fígado ou no baço. O diagnóstico diferencial é frequentemente confundido com amigdalite bacteriana, o que pode agravar o quadro se o tratamento for inadequado.
Tânia Vergara, infectologista, explica: "Fica cheia daquelas plaquinhas brancas na garganta e, como tem febre, é muito comum que os pacientes sejam tratados como amigdalite, o que pode piorar o quadro."
A maior parte das pessoas se cura em poucas semanas, com sintomas que podem durar de 15 a 30 dias. Não existe vacina ou tratamento específico para mononucleose, apenas para aliviar os sintomas. Uma dica importante é trocar a escova de dente por uma nova após os sintomas desaparecerem.
Carolina Foot Gomes de Moura, cirurgiã-dentista e professora da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), comenta: "Embora algumas doenças bucais não serem diretamente transmitidas pela escova de dente, existe uma pequena chance de que as bactérias ou vírus da doença possam ser transferidos para outra pessoa através do seu compartilhamento."
Herpes labial: o vírus que pode reaparecer
De repente, você começa a sentir coceira e ardência perto ou em cima do lábio. No dia seguinte, surgem pequenas bolhas agrupadas no local, como se fosse um buquê, que vão crescendo até se romperem, formando uma ferida. Essa é a herpes labial, doença também causada por um vírus e transmitida pelo contato com a boca ou com a saliva da pessoa infectada.
O contato com o vírus da herpes pode acontecer ainda na infância, mas sem manifestações: o vírus se instala no organismo e fica inativado. No entanto, ele pode reaparecer devido a diversos fatores, como exposição à luz solar intensa, fadiga física e mental, estresse emocional, febre ou outras infecções.
A fase de maior transmissão da doença é quando as bolhas liberam um líquido e há ferida; nesses casos, o ideal é evitar beijar a pessoa com a lesão. O tratamento é feito com medicamentos orais ou pomadas, de acordo com indicação médica.
Tânia Vergara alerta: "Uma vez que você pega herpes, ele vai ser seu amigo para sempre. A qualquer momento em que você tiver um stress físico, mental ou local, a herpes poderá aparecer a qualquer momento."
Sapinho: candidíase oral comum em crianças
A candidíase oral, mais conhecida como sapinho, é provocada por um fungo chamado Candida albicans, que geralmente vive em harmonia na boca e no intestino. É mais comum em crianças, que possuem um sistema de defesa ainda em desenvolvimento.
Entre os pequenos, também há muito contato ou troca de chupetas e brinquedos que são levados à boca, o que aumenta o risco de contaminação. Já entre os adultos, a doença pode ser mais grave em quem tem imunidade baixa.
O surgimento de placas cremosas e esbranquiçadas na língua, lábios, céu da boca e parte interna das bochechas podem indicar a presença de candidíase na boca. Tânia Vergara afirma: "Os adultos têm mais resistência, não se pega tanto e o tratamento é local."
Sífilis: IST que pode se manifestar na boca
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A doença pode ser transmitida e se manifestar de diversas formas. Uma delas é o aparecimento de uma ferida na boca, que é rica em bactérias e, ao beijar outra pessoa, estará transmitindo a doença para ela.
Há diagnóstico, tratamento e cura para sífilis, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Para evitar a transmissão sexual, a camisinha é a medida mais eficaz de prevenção da doença.
Como identificar feridas graves na boca
Se a lesão persistir por mais de 15 dias e não der sinais de melhora, é importante procurar ajuda médica. Carolina Foot Gomes de Moura, professora, orienta: "Independente se a ferida dói ou não, alguns sinais que podem indicar que a ferida na boca é algo mais grave incluem sangramento, inchaço, mudança de coloração e textura e a presença de uma massa ou nódulo. Ao observar quaisquer um desses sinais, é altamente aconselhável procurar um cirurgião-dentista."
Outras doenças transmitidas pelo contato próximo
A infectologista Tânia Vergara também alerta para a possibilidade de transmissão de outras doenças infecciosas por conta do contato próximo com outra pessoa, seja por um beijo ou um abraço. Entre elas, estão:
- Gripes
- Catapora (também chamada de varicela)
- Sarampo
- Caxumba
- Covid-19
A boa notícia é que todas essas doenças citadas acima são imunopreveníveis. Ou seja: há vacinas disponíveis, no SUS e na rede privada. A melhor forma de se proteger é manter a imunização em dia, garantindo uma folia mais segura e saudável durante o Carnaval.