Subvariante 'Cicada' da Covid-19 é monitorada globalmente com 75 mutações na proteína Spike
Subvariante 'Cicada' da Covid-19 tem 75 mutações e é monitorada

Nova subvariante 'Cicada' da Covid-19 circula globalmente com 75 mutações na proteína Spike

Uma nova subvariante da Covid-19, denominada "Cicada" (BA.3.2), já começou a circular internacionalmente e está sob rigoroso monitoramento de cientistas em todo o mundo. Identificada em pelo menos 23 países fora do Brasil, esta linhagem se destaca pelo número elevado de mutações, especialmente na proteína Spike, estrutura crucial para a invasão do vírus nas células humanas. Dados preliminares, no entanto, indicam que a subvariante não está associada a aumento de casos graves ou hospitalizações, mantendo o padrão observado nas versões mais recentes da Ômicron.

Entenda o que é a subvariante 'Cicada' e sua evolução viral

A BA.3.2 representa mais uma subvariante da Ômicron, não constituindo uma nova variante independente. Isso significa que ela faz parte de um processo contínuo de evolução do vírus, que acumula mutações para se manter em circulação. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que essa dinâmica já era esperada desde a chegada da Ômicron. O vírus deixou de apresentar grandes "saltos" entre variantes—como ocorreu entre Alfa, Delta e a própria Ômicron—e passou a evoluir por meio de sublinhagens. Essas mudanças seguem uma lógica adaptativa: à medida que a população desenvolve imunidade, o vírus sofre mutações que permitem escapar parcialmente dessa proteção e continuar se espalhando.

Principais características e mutações da linhagem 'Cicada'

O principal diferencial da "Cicada" está na proteína Spike, onde apresenta cerca de 75 mutações—número considerado significativamente elevado. Segundo Juarez Cunha, diretor da SBIm, esse tipo de alteração pode impactar a forma como o sistema imunológico reconhece o vírus, favorecendo o chamado "escape de anticorpos", fenômeno já observado em outras fases da pandemia. Na prática, isso pode aumentar o risco de infecção mesmo em pessoas vacinadas ou previamente infectadas, sem necessariamente significar quadros mais graves ou sintomas diferentes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sintomas e perfil clínico da subvariante

Até o momento, não há evidências de mudanças no perfil clínico associado à subvariante 'Cicada'. Os sintomas permanecem semelhantes aos das versões recentes da Ômicron, incluindo:

  • Febre
  • Dor de garganta
  • Tosse seca
  • Coriza
  • Cansaço

Cunha afirma que os relatos atuais não indicam alteração no padrão da doença, que segue predominantemente leve na maioria dos casos, sem sinais de manifestações novas ou mais agressivas.

Eficácia das vacinas contra a subvariante 'Cicada'

As vacinas continuam funcionando, especialmente contra formas graves da doença. Mesmo com mutações que permitem algum escape imunológico, os imunizantes mantêm seu papel crucial na prevenção de hospitalizações e mortes. Kfouri destaca que as vacinas nunca acompanham exatamente a versão mais recente do vírus, mas ainda assim oferecem proteção consistente contra quadros graves, geralmente entre 6 e 12 meses após a dose. Esse padrão se mantém porque todas as subvariantes atuais descendem da Ômicron, preservando parte da resposta imunológica induzida pelas vacinas.

Risco de circulação no Brasil e situação atual

Até o último boletim disponível, não havia confirmação oficial da circulação da BA.3.2 no Brasil. No entanto, especialistas consideram provável que isso aconteça em breve, dado que a subvariante já demonstrou capacidade de disseminação internacional rápida. Historicamente, esse padrão leva à introdução em diferentes regiões do mundo em pouco tempo. Além disso, em alguns países, observa-se um possível aumento proporcional de casos em crianças—hipótese que ainda está sendo investigada e pode estar relacionada ao fato de muitas delas não terem tido contato prévio com o vírus.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Principal preocupação: queda na vacinação

Mais do que a subvariante em si, o principal ponto de atenção apontado pelos especialistas é a queda significativa nas taxas de vacinação. Cunha alerta que a Covid-19 continua causando hospitalizações e mortes, especialmente entre idosos, crianças pequenas e gestantes—justamente os grupos com menor cobertura vacinal recente. Atualmente, a doença apresenta comportamento semelhante ao de vírus respiratórios sazonais, como a influenza, mas ainda com impacto relevante na saúde pública. A vigilância contínua e a manutenção da imunização são essenciais para controlar a disseminação e mitigar os efeitos da pandemia.