Sinal de Frank: Entenda a Relação Entre a Dobra na Orelha e o Risco Cardíaco
A presença de uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, denominada sinal de Frank, tem sido investigada há décadas como um potencial indicador visual de problemas cardiovasculares. O assunto ganhou destaque recentemente após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante. Ele apresentava uma marca semelhante em suas orelhas, levantando questionamentos entre o público sobre o significado desse sinal e as medidas a serem tomadas.
O Que Especialistas Dizem Sobre o Sinal de Frank
O cardiologista João Vicente da Silveira, da Unidade de Hipertensão do InCor da Faculdade de Medicina da USP, enfatiza que a dobra não deve ser interpretada como uma sentença definitiva, mas sim como um sinal de atenção clínica. O principal risco é analisar o sinal de forma isolada, pois ele é apenas um indicador entre muitos. Muitas pessoas com doença coronariana não apresentam essa característica, e há casos de indivíduos com o sinal que não têm problemas cardíacos.
Hélio Amante Miot, professor e pesquisador da Unesp, complementa que ter maior risco não significa certeza de um evento cardiovascular, mas o sinal serve como um alerta valioso. Ele pode funcionar como uma pista para investigar a saúde arterial, especialmente quando aparece em adultos mais jovens ou está associado a outros fatores de risco.
Fatores de Risco e a Importância da Avaliação Médica
Entre os fatores de risco para doenças cardíacas, destacam-se:
- Pressão arterial elevada
- Níveis altos de glicemia e colesterol
- Tabagismo
- Obesidade
- Consumo frequente de álcool
- Sedentarismo
Qualquer pessoa com esses elementos ou com a prega diagonal na orelha deve ser investigada do ponto de vista cardiovascular, conforme recomenda Miot. A avaliação médica é crucial para checar a pressão arterial e solicitar exames como testes de colesterol, glicemia, eletrocardiograma e, em casos específicos, procedimentos mais avançados.
Origem e Explicação Biológica do Sinal de Frank
Descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, o sinal está associado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos e à aterosclerose, onde placas de gordura se acumulam nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC. Uma possível explicação biológica envolve a irrigação do lóbulo da orelha por microartérias; a dobra pode estar ligada à desorganização das fibras de colágeno, reduzindo a elasticidade vascular e favorecendo obstruções.
Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) reforça essa associação, mostrando que a prega apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo sem obstruções. Quando combinada com uma prega pré-auricular, o valor preditivo positivo atingiu 90%.
Recomendações Práticas para Quem Identifica o Sinal
Ao observar o sinal de Frank, a orientação é buscar avaliação médica para uma análise abrangente. Dependendo do perfil de risco, o médico pode indicar exames como ecocardiograma, teste ergométrico ou até cateterismo em casos suspeitos. O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, medicações ou procedimentos como a colocação de stents.
Em resumo, a dobra na orelha não prevê um infarto por si só, mas é um alerta do corpo para cuidar melhor da saúde cardiovascular, agindo precocemente sobre os fatores de risco modificáveis.



