Retatrutida: estudo fase 3 mostra perda de peso recorde em obesos
Retatrutida: perda de peso recorde em estudo fase 3

A corrida por medicamentos contra a obesidade ganhou um novo capítulo com a divulgação dos resultados do estudo de fase 3 da retatrutida, um medicamento experimental da farmacêutica Eli Lilly. O estudo, chamado TRIUMPH-1, mostrou que a droga levou a uma perda média de 28,3% do peso corporal em participantes com obesidade após 80 semanas de tratamento. Esse resultado se aproxima dos observados em cirurgia bariátrica, algo até então impensável para um tratamento medicamentoso.

O que é a retatrutida?

A retatrutida pertence a uma nova geração de drogas conhecidas como "triplo agonista". Isso significa que a caneta de aplicação semanal atua simultaneamente em três receptores hormonais ligados ao metabolismo e ao controle da fome: GLP-1, GIP e glucagon. Atualmente, medicamentos como a tirzepatida, do Mounjaro (também da Lilly), atuam em apenas dois desses mecanismos. A expectativa é que a ação tripla potencialize ainda mais o impacto sobre o peso corporal e o metabolismo.

Resultados impressionantes

No estudo TRIUMPH-1, quase metade dos participantes que receberam a dose mais alta (12 mg) perdeu ao menos 30% do peso inicial. Mais especificamente, 45,3% dos pacientes tratados com essa dose atingiram essa marca. Os números foram ainda mais expressivos em outras faixas de emagrecimento: 93,6% perderam pelo menos 15% do peso corporal e 75,5% ultrapassaram a barreira dos 20%.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O ensaio clínico incluiu mais de 2.300 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a alguma comorbidade, mas sem diabetes. Além da dose de 12 mg, o estudo avaliou esquemas de 4 mg e 9 mg, com perdas médias de 19% e 25,9%, respectivamente. No grupo placebo, a redução foi de apenas 2,2%.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais seguiram o padrão já conhecido dessa classe de medicamentos: náusea, diarreia, vômitos e constipação foram os eventos mais frequentes. Parte dos participantes interrompeu o tratamento devido às reações adversas.

Aprovação ainda pendente

Apesar do entusiasmo, a retatrutida ainda não foi aprovada em nenhum lugar do mundo. O medicamento permanece em investigação clínica e não pode ser comercializado. Portanto, não está disponível legalmente em farmácias, clínicas ou consultórios. A expectativa agora gira em torno da apresentação completa dos resultados durante o congresso da American Diabetes Association (ADA 2026), um dos principais eventos científicos da área de diabetes e obesidade. Lá, os pesquisadores devem divulgar os dados detalhados do estudo, permitindo uma análise mais aprofundada sobre eficácia e segurança da nova molécula.

O anúncio reforça como o tratamento da obesidade está passando por uma transformação acelerada. Em poucos anos, os medicamentos deixaram de oferecer perdas modestas de peso para alcançar resultados antes restritos a procedimentos cirúrgicos. Ainda assim, especialistas lembram a importância da segurança de longo prazo, acesso e acompanhamento médico.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar