Polilaminina: Substância que Reconecta a Medula Gera Esperança e Disputa Judicial
Polilaminina: Esperança para Paraplegia e Corrida na Justiça

Polilaminina: A Nova Esperança na Reconexão da Medula Espinhal

O programa Fantástico deste domingo revelou detalhes de um estudo inédito com a polilaminina, uma substância que está revolucionando as perspectivas para pessoas com paraplegia. A reportagem entrevistou pacientes e pesquisadores envolvidos na pesquisa, que demonstra a capacidade da polilaminina em reconectar a medula espinhal rompida, oferecendo uma luz no fim do túnel para quem sofreu traumas medulares graves.

O Caso de Diogo Brolo: Da Tragédia à Recuperação

Um dos beneficiados pelo tratamento experimental foi Diogo Brolo, que trabalhava instalando vidros quando sofreu um acidente grave. Ele levou um choque elétrico e caiu de um prédio, resultando em um raio-X que mostrava a medula espinhal totalmente rompida. Inconformada, sua irmã iniciou uma busca incansável por alternativas até encontrar a polilaminina.

Diogo passou por três hospitais diferentes até finalmente receber a aplicação da substância. Semanas após o tratamento, ocorreu um momento emocionante: "De madrugada, duas da manhã, eu estava mexendo no celular e alguma coisa falou: mexe o pé. Então, eu comecei a mandar o contato para o pé direito e foi o momento que eu vi fazendo assim... o pé inteiro. Fazia assim para frente e para trás", relata o paciente.

Ele acordou sua esposa para mostrar o movimento recuperado, em uma cena carregada de emoção e lágrimas. Atualmente, Diogo já recuperou o controle da bexiga e consegue realizar movimentos de joelhada. A sensibilidade, que antes parava no bico do peito, desceu para o diafragma, permitindo que ele contraia também a barriga.

Estudo Clínico e Limitações do Tratamento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o início de um estudo clínico oficial para o próximo mês, marcando um passo crucial na validação científica da polilaminina. Se as três fases de testes forem bem-sucedidas, a substância poderá estar disponível para uso generalizado em até cinco anos.

Entretanto, os pesquisadores destacam importantes limitações:

  • A máxima eficácia ocorre quando a aplicação é feita preferencialmente em até três dias após o trauma
  • O tratamento deve ser realizado antes da cicatrização completa da medula espinhal
  • Não há evidência científica de que a polilaminina funcione no tratamento de lesões medulares crônicas

A Pesquisa de Três Décadas na UFRJ

A pesquisa com a polilaminina começou há quase 30 anos com a bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela desenvolveu em laboratório uma rede de proteínas chamadas "lamininas", cujo conjunto forma a polilaminina. Esta substância tem a capacidade de recuperar os axônios - a parte dos neurônios que serve como ponte para a transmissão de informações.

"Como que faz para o axônio crescer na vida real? Ele cresce em cima de uma pista de laminina. Quando tem uma lesão, tem pista de laminina? Não. E se a gente der a pista? Ah, ele volta a crescer. Não tem nenhuma genialidade nisso", explica a bióloga de forma simplificada.

Resultados Históricos e Busca Judicial

Em um estudo acadêmico com oito pacientes que tinham lesão medular completa, os avanços foram considerados históricos pela comunidade científica. "Com lesão completa, o que se vê na literatura é que apenas 10% das pessoas recuperam função motora. No nosso estudo acadêmico foi 75%", destaca Tatiana Sampaio.

Enquanto aguardam o início oficial dos testes clínicos aprovados pela Anvisa, muitos pacientes estão acionando a Justiça em busca de acesso ao tratamento com polilaminina. Esta corrida judicial reflete a esperança despertada pelos resultados promissores e a urgência de quem vive com limitações motoras graves.

A substância tem demonstrado capacidade de trazer de volta movimentos sutis, porém extremamente significativos para a qualidade de vida dos pacientes. O caso de Diogo Brolo e os resultados do estudo acadêmico sugerem que a polilaminina pode representar um marco na neurologia e na reabilitação de pessoas com lesões medulares traumáticas.