Vírus Nipah: Infectologista afirma que risco de pandemia é baixo apesar de alta mortalidade
Nipah: risco de pandemia é baixo, diz infectologista

Vírus Nipah na Índia: especialista avalia risco de pandemia como reduzido

Cerca de cem pessoas foram colocadas em quarentena no estado de Bengala Ocidental, na Índia, após a detecção de casos do vírus Nipah, um patógeno que possui uma taxa de mortalidade alarmante de 75%. A situação tem gerado preocupação global, mas especialistas em saúde pública buscam acalmar os ânimos com base em dados históricos e características do vírus.

Infectologista tranquiliza sobre possibilidade de pandemia

Em entrevista ao Hora News, a doutora Mirian Dal Ben, médica infectologista do Hospital Sírio Libanês, destacou que o risco de uma pandemia causada pelo Nipah é muito pequeno no momento atual. Ela explicou que, embora o vírus seja grave, não se trata de um agente desconhecido. "O Nipah não é um vírus novo, ele é conhecido desde 1999, quando houve um surto na Malásia", afirmou a profissional.

A infectologista ressaltou que o patógeno já consta na lista de observação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o mantém sob investigação contínua para controlar eventuais surtos. De fato, não havia registros de pacientes diagnosticados com a doença na Bengala Ocidental nos últimos vinte anos, o que indica uma vigilância eficaz.

Características e transmissão do vírus Nipah

O vírus Nipah pode causar infecções graves no sistema nervoso central e no cérebro, podendo levar a óbito ou deixar sequelas permanentes. A transmissão inicial está frequentemente ligada à ingestão de alimentos contaminados, como frutas infectadas pela saliva ou urina de morcegos, que são reservatórios naturais do vírus.

Entre humanos, a principal via de contágio ocorre através do contato direto com secreções de pacientes, como saliva, sem os devidos cuidados de higiene. No entanto, a doutora Mirian Dal Ben esclareceu que o vírus é menos infeccioso que o coronavírus, pois não se espalha facilmente por aerossóis no ar.

  • Os sintomas podem variar desde assintomáticos até quadros graves com vômitos, dor de cabeça, febre, convulsões e encefalite.
  • A taxa de mortalidade é estimada em 40% a 70%, mas a especialista alerta que os diagnósticos tendem a ser feitos apenas nos casos mais severos.

Tratamento e perspectivas futuras

Atualmente, não existe tratamento específico ou vacina disponível para o vírus Nipah. O manejo clínico é baseado em suporte sintomático, utilizando aparelhos e medicamentos para aliviar os efeitos da infecção. A infectologista expressou otimismo, afirmando que, por estar na lista de prioridades da OMS, "será apenas questão de tempo até uma cura ser desenvolvida".

Ela também destacou que nunca houve uma transmissão sustentada do vírus fora de pequenos surtos restritos a regiões específicas, o que reforça a avaliação de baixo risco pandêmico. As autoridades de saúde indianas continuam monitorando a situação de perto, implementando medidas de quarentena e vigilância para conter a propagação.