Gerwyn Tumelty supera neuralgia do trigêmeo com banhos de gelo e fala sobre saúde mental
Neuralgia do trigêmeo: homem supera dor com banhos de gelo

Gerwyn Tumelty enfrenta a dor mais intensa com banhos de gelo e resiliência

A sensação era de uma chave de fenda perfurando o rosto, uma dor tão aguda que levou Gerwyn Tumelty, de 52 anos, a considerar desistir da vida. Empresário bem-sucedido e pai de três filhos, ele via sua rotina ser dominada pela neuralgia do trigêmeo, uma condição descrita como a mais dolorosa conhecida pela medicina. As crises, desencadeadas por ações simples como comer ou sentir uma brisa, o faziam abandonar a mesa no meio das refeições, deixando marcas profundas em sua saúde física e mental.

O que é a neuralgia do trigêmeo e seu impacto devastador

A neuralgia do trigêmeo ocorre quando um vaso sanguíneo comprime o nervo trigêmeo no rosto, responsável pela sensibilidade facial. Frequentemente confundida com dor de dente, a doença pode causar ataques que duram de segundos a minutos, ocorrendo centenas de vezes ao dia em casos graves. Segundo o National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido, cerca de 8 em cada 100 mil pessoas desenvolvem a condição anualmente. No Brasil, estima-se cinco casos para cada 100 mil habitantes, afetando principalmente pessoas acima dos 50 anos, com maior incidência em mulheres, embora a razão científica ainda não seja clara.

Os sintomas incluem dores intensas semelhantes a choques elétricos, formigamento no rosto e olho vermelho e lacrimejante. Tumelty, residente em Pontarddulais, no País de Gales, descreve a experiência como "realmente horrível", com pensamentos sombrios que o perseguiram por anos. "Eu não via um fim para aquilo. Foi um período desesperador", relata ele, destacando que o apoio da família foi crucial para seguir em frente.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Tratamentos e a jornada de recuperação de Tumelty

Após anos de sofrimento, Tumelty optou por uma cirurgia neurológica em 2019. O procedimento, realizado sob anestesia geral, envolve abrir o crânio para aliviar a pressão sobre o nervo, com riscos que incluem dormência facial, perda auditiva, AVC e até morte em casos raros. No entanto, a cirurgia oferece alívio duradouro, com estudos indicando que a dor retorna em cerca de 30% dos pacientes após 10 a 20 anos. Para Tumelty, o resultado foi positivo, mas os efeitos na saúde mental permaneceram.

Em 2022, ele enfrentou uma recaída emocional, sentindo-se isolado e deprimido. Foi ao compartilhar seus sentimentos com amigos, durante um encontro com ex-colegas da Marinha, que encontrou alívio. "Eu me abri, e isso transformou minha vida", afirma. Desde então, adotou um estilo de vida mais saudável, completando a Maratona de Londres e fazendo trilhas em países como o Marrocos.

Banhos de gelo como ferramenta de superação e disciplina

A maior mudança na rotina de Tumelty veio com a prática de banhos de gelo no quintal de sua casa, realizada duas vezes por semana. Ele descreve o hábito como uma forma de enfrentar desafios diários, exigindo rotina e disciplina. "Isso me deixa preparado para enfrentar o dia e a vida", explica, enfatizando como a prática o ajuda a lidar com os resquícios mentais da doença.

Outros casos e a importância do diagnóstico precoce

Nem todos têm a mesma sorte. Aneeta Prem, diretora-executiva da Trigeminal Neuralgia Association, convive com uma forma rara da doença, a neuralgia bilateral, onde a dor afeta ambos os lados do rosto. Ela levou sete anos para ser diagnosticada, após extrair um dente pensando ser dor de dente. Prem alerta que muitos pacientes enfrentam isolamento e solidão, com cerca de 33% relatando pensamentos suicidas e mais de 80% nunca buscando ajuda.

O diagnóstico precoce é fundamental, segundo Prem, que destaca a eficácia de sistemas multidisciplinares, como no País de Gales, para encaminhamento prioritário. Ela enfatiza a necessidade de maior conscientização em consultórios médicos e odontológicos, pois a dor crônica pode assumir o controle da vida das pessoas, levando a consequências graves.

Recursos de apoio e alertas sobre saúde mental

Para aqueles que enfrentam dores crônicas ou pensamentos suicidas, é crucial buscar ajuda. No Brasil, recursos incluem:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  • O Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível 24 horas pelo telefone 188, com opções de chat e e-mail.
  • Serviços de emergência como Bombeiros (193), Polícia Militar (190) e SAMU (192).
  • Atendimento na rede pública através de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA).
  • O Mapa da Saúde Mental, que auxilia na localização de atendimento gratuito em todo o país.

A história de Gerwyn Tumelty serve como um testemunho de resiliência, mostrando que, mesmo diante da dor mais extrema, é possível encontrar caminhos para a recuperação e uma vida plena, com apoio e hábitos saudáveis.