Um estudo publicado na revista Nature Medicine revela que mudanças simples na rotina da cozinha podem reduzir significativamente o acúmulo de substâncias plásticas no organismo. Compostos como bisfenol A (BPA) e ftalatos, já associados a alterações hormonais, doenças cardiovasculares e problemas neurológicos, foram alvo da pesquisa.
Como foi o estudo
Pesquisadores australianos acompanharam 211 adultos divididos em grupos que adotaram diferentes estratégias: dieta com baixo contato com plástico, uso de utensílios de cozinha sem plástico, produtos de higiene pessoal com menos plástico, combinação de todas essas medidas e um grupo controle sem mudanças. Após apenas sete dias, exames de urina mostraram reduções expressivas nos níveis de BPA (entre 50% e 60%) e de alguns ftalatos (de 30% a mais de 50%), especialmente nos grupos que combinaram dieta e utensílios sem plástico.
Alimentação como principal fonte
Os resultados indicam que os alimentos ultraprocessados, embalados e enlatados são as principais fontes de exposição. A ingestão calórica dos participantes permaneceu a mesma, demonstrando que a redução veio da mudança na forma de produzir, armazenar e preparar os alimentos, e não de comer menos. Já as intervenções focadas apenas em produtos de higiene pessoal tiveram impacto limitado, sem efeito claro sobre os bisfenóis.
Limitações e recomendações
Nem todos os compostos diminuíram; alguns até aumentaram, sugerindo outras fontes de exposição ou liberação de substâncias já armazenadas no corpo. O endocrinologista Clayton Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que o estudo mostra que a exposição é mensurável e pode ser modificada. Ele recomenda priorizar alimentos in natura, reduzir embalagens plásticas, evitar aquecer alimentos em plástico e ter atenção ao armazenamento. "São medidas acessíveis que diminuem a exposição sem impacto nutricional negativo", afirma.



