Raposa-voadora: morcego gigante hospedeiro do vírus Nipah e sua importância ecológica
Morcego gigante hospedeiro do vírus Nipah: conheça a raposa-voadora

Raposa-voadora: o morcego gigante que hospeda o vírus Nipah

O recente surto do vírus Nipah na Índia e em Bangladesh trouxe à tona uma criatura fascinante e pouco conhecida: a raposa-voadora. Pertence ao gênero Pteropus e é reconhecida como o principal hospedeiro natural desse vírus, que tem chamado a atenção das autoridades de saúde em todo o mundo.

Características e importância ecológica da espécie

De acordo com informações do Aquário de São Paulo, a raposa-voadora é um morcego de grande porte, com algumas espécies podendo atingir impressionantes 1,5 metro de envergadura, o que a coloca entre as maiores do planeta. Sua dieta é composta principalmente de frutas, néctar e flores, tornando-a uma espécie frugívora.

Esses morcegos são encontrados em regiões como o Sudeste Asiático, a Oceania, Madagascar e partes da África. Além do tamanho impressionante, a raposa-voadora desempenha um papel crucial nos ecossistemas, atuando como dispersora de sementes e contribuindo significativamente para a regeneração das florestas.

A situação de conservação da espécie tem apresentado melhorias ao longo dos anos. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou a raposa-voadora de em perigo para vulnerável em 2008, e mais recentemente para quase ameaçada, indicando uma estabilização nas populações que antes estavam em declínio.

Risco do vírus Nipah no Brasil e no mundo

Embora a raposa-voadora não seja encontrada no território brasileiro, isso não elimina completamente a possibilidade de o vírus Nipah atingir o país. O vírus pode infectar outros animais, como porcos, que por sua vez podem transmiti-lo aos humanos. Além disso, a contaminação pode ocorrer através do consumo de alimentos contaminados ou por contato próximo entre pessoas.

Na última sexta-feira, 30 de janeiro, o Ministério da Saúde do Brasil emitiu um comunicado afirmando que o risco de uma pandemia causada pelo Nipah no país é considerado baixo. A pasta destacou que o surto recente na Índia registrou apenas dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, sem evidências de disseminação internacional.

O Ministério também informou que 198 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas e testadas, todas com resultados negativos. O último caso foi registrado em 13 de janeiro, indicando que o episódio está chegando ao fim, conforme afirmado pela pasta.

Por que o risco de pandemia é considerado baixo?

Especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliam como remotas as chances de o vírus Nipah desencadear uma crise sanitária global, similar à vivida com a covid-19. Isso se deve principalmente às características específicas do patógeno e de seu modo de transmissão.

O infectologista Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o coronavírus responsável pela emergência global em 2020 era facilmente transmitido de pessoa para pessoa por meio de tosse, espirro e gotículas suspensas no ar. Não é o caso do Nipah. A infecção por esse vírus requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais, ou através de frutas contaminadas pelos morcegos asiáticos.

Outro fator que limita a propagação do Nipah é sua alta letalidade. Enquanto a covid-19 apresentava uma taxa global de mortalidade em torno de 1%, o vírus Nipah pode matar entre 40% e 70% dos infectados, um número significativamente mais elevado que dificulta sua disseminação em larga escala.

Vigilância e preparação no Brasil

O Ministério da Saúde brasileiro mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) também é destacada nesse esforço contínuo.

Apesar do baixo risco atual, os especialistas alertam que a vigilância deve ser mantida. A infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, ressalta que a maior preocupação não está apenas nos vírus raros e altamente letais, nem exclusivamente nos vírus comuns e muito transmissíveis, como gripe e covid, mas no equilíbrio entre letalidade, capacidade de disseminação e disponibilidade de contramedidas.

Vírus como o Nipah podem sofrer mutações que aumentam sua capacidade de disseminação, transformando zoonoses em epidemias potenciais. Portanto, a monitorização constante e a preparação dos sistemas de saúde são essenciais para enfrentar possíveis ameaças futuras.