Lula inicia radioterapia preventiva no couro cabeludo após câncer de pele
Lula inicia radioterapia preventiva após câncer de pele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início, nesta segunda-feira (25), a um tratamento complementar de radioterapia superficial no couro cabeludo. A medida ocorre após a remoção, em abril, de um carcinoma basocelular, que é o tipo mais frequente de câncer de pele. De acordo com o Hospital Sírio-Libanês, as sessões têm caráter preventivo e não devem causar efeitos colaterais significativos.

O que é o carcinoma basocelular?

O carcinoma basocelular origina-se nas células basais da epiderme, a camada mais profunda da pele. Ele surge predominantemente em áreas com maior exposição solar, como rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo — exatamente onde a lesão do presidente foi identificada. Segundo a oncologista Veridiana Camargo, da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do Instituto Vencer o Câncer, “o carcinoma basocelular cresce de forma lenta e local, destruindo os tecidos ao redor, mas quase nunca dá metástases. O grande risco é deixar a lesão evoluir sem tratamento”.

A doença muitas vezes é confundida com pequenas feridas ou machucados comuns. Os sinais mais frequentes incluem: feridas que não cicatrizam; pequenas lesões que sangram com facilidade; crostas persistentes; “carocinhos” brilhantes ou avermelhados; e manchas que descamam repetidamente. A dermatologista Bethânia Cavalli, responsável pelo Ambulatório de Oncologia Cutânea do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), ressalta que, frequentemente, a doença não causa dor, o que leva o paciente a demorar para buscar ajuda.

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Fatores de risco e prevenção

O principal fator associado ao carcinoma basocelular é a exposição crônica ao sol sem proteção ao longo da vida. Pessoas de pele clara, olhos claros, com histórico de queimaduras solares e trabalhadores que passam muitos anos ao ar livre apresentam maior risco. A idade também é um fator relevante, sendo mais comum a partir dos 40 anos, embora possa surgir antes em indivíduos muito expostos à radiação ultravioleta. O couro cabeludo é particularmente vulnerável em pessoas com calvície ou rarefação capilar, pois fica mais exposto diariamente.

Por que Lula fará radioterapia?

A cirurgia é o tratamento padrão para a maioria dos carcinomas basocelulares, com taxas de cura superiores a 90%. No entanto, em alguns casos, os médicos indicam tratamentos complementares para reduzir o risco de recidiva, especialmente quando a lesão está em áreas delicadas ou há preocupação com células microscópicas residuais. Foi essa a abordagem adotada pela equipe médica de Lula. Segundo o Sírio-Libanês, o presidente realizará 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo. Esse tipo de radioterapia utiliza radiação em baixa profundidade, concentrada na pele, sem atingir estruturas internas. A técnica também é empregada em pacientes que não podem ser operados ou em tumores localizados em áreas de difícil acesso cirúrgico.

Quando o tumor pode se tornar grave?

Apesar do risco de metástase ser extremamente baixo, o carcinoma basocelular pode se tornar agressivo localmente quando negligenciado. Em casos avançados, o tumor pode atingir cartilagens, ossos e estruturas profundas da face, especialmente no nariz, olhos e orelhas. Por isso, dermatologistas recomendam atenção a qualquer lesão que permaneça aberta por mais de quatro semanas.

Acompanhamento e prevenção

Pacientes que já tiveram carcinoma basocelular têm maior risco de desenvolver novas lesões no futuro. O acompanhamento dermatológico periódico é essencial. A prevenção baseia-se principalmente na proteção solar diária: uso de protetor solar; chapéus e bonés; roupas com proteção UV; e evitar exposição intensa entre 10h e 16h. Nos últimos anos, tratamentos mais modernos, como terapias-alvo e imunoterapia, também passaram a ser usados em casos avançados da doença.

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