Estudo dinamarquês associa IMC elevado e hipertensão a maior risco de demência vascular
IMC alto e hipertensão elevam risco de demência vascular

Nos últimos anos, a comunidade médica tem reforçado consistentemente uma mensagem crucial: o que beneficia o coração também protege o cérebro. Essa relação bidirecional ganha ainda mais força com um novo estudo da Universidade de Copenhague, que atesta uma conexão direta entre o excesso de peso, medido pelo índice de massa corporal (IMC), e o risco aumentado de desenvolver demência vascular.

O mecanismo por trás da associação

A pesquisa, publicada no periódico Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, analisou dados populacionais da Dinamarca e do Reino Unido. Os cientistas descobriram que um IMC elevado, característico de sobrepeso ou obesidade, está intimamente ligado a uma maior propensão para a demência vascular. Este tipo de demência é causado pelo entupimento progressivo de pequenos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, comprometendo a cognição, a memória e a autonomia do indivíduo.

Fatores de risco compartilhados

Conforme explica a geriatra Mariana Bellaguarda Sepulvida, coordenadora de geriatria do Hospital São Luiz/Rede D'Or de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, os fatores de risco por trás de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) são os mesmos que predispõem à demência vascular. Entre eles destacam-se:

  • Pressão alta (hipertensão)
  • Obesidade e excesso de peso

A hipertensão cria um ambiente propício para danos arteriais, sendo uma das principais causas de derrames. Já o excesso de peso promove um estado inflamatório crônico que prejudica o sistema circulatório, afetando órgãos como coração e cérebro.

Impacto no Brasil e medidas preventivas

No contexto brasileiro, a demência vascular é uma das formas mais prevalentes de demência, ao lado da doença de Alzheimer. O estudo dinamarquês reforça a importância de estratégias preventivas baseadas no controle de fatores de risco modificáveis.

As principais recomendações incluem:

  1. Monitoramento regular do peso e manutenção de um IMC dentro da faixa saudável.
  2. Aferição periódica da pressão arterial, com tratamento adequado em casos de hipertensão.
  3. Adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e atividade física regular.

Essas medidas não apenas protegem a saúde cardiovascular, mas também representam uma defesa crucial contra lesões cerebrais que podem levar a problemas cognitivos graves, como dificuldades de orientação no tempo e espaço, perda de memória e comprometimento da independência funcional.

A pesquisa serve como um alerta importante: investir na saúde do coração é, simultaneamente, investir na preservação das funções cerebrais ao longo da vida.