Alerta do Cremesp sobre procedimento estético com gordura de cadáveres
Uma tendência estética que parece saída de ficção científica está ganhando espaço nos Estados Unidos, mas já acendeu o alerta de especialistas no Brasil. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) emitiu um aviso urgente sobre os potenciais riscos de um procedimento que utiliza gordura de doadores falecidos para aumentar glúteos, seios e quadris. A prática, divulgada como uma alternativa menos invasiva às cirurgias tradicionais, está sendo comercializada em clínicas americanas, mas carece de comprovação científica de segurança e eficácia.
O produto AlloClae e sua popularidade crescente
O procedimento em questão emprega o produto AlloClae, desenvolvido pela empresa Tiger Aesthetics a partir de gordura humana doada. A proposta é oferecer um preenchedor "de prateleira", pronto para uso em consultório, eliminando a necessidade de o paciente se submeter a uma pequena lipoaspiração para retirar sua própria gordura, conhecida como enxerto autólogo. Os valores dos tratamentos com AlloClae variam amplamente, de US$ 10 mil (cerca de R$ 52 mil) a US$ 100 mil (aproximadamente R$ 520 mil), dependendo da quantidade aplicada e da área tratada.
Mesmo com custos elevados, médicos relataram ao Business Insider que há escassez do material e formação de filas de espera em clínicas de Nova York e da Califórnia, indicando uma demanda significativa. No entanto, essa popularidade não se traduz em segurança comprovada, levantando sérias preocupações entre autoridades médicas.
Falta de evidências e riscos à saúde
O Cremesp afirma categoricamente que não existem estudos científicos que comprovem a segurança e a eficácia desse tipo de procedimento. Entre as possíveis complicações, a entidade lista reações inflamatórias, formação de nódulos, infecções e até embolização, que pode ser fatal. Esses riscos destacam a importância de abordagens médicas baseadas em evidências e aprovadas por órgãos reguladores.
Além disso, o Cremesp ressalta que médicos não podem divulgar procedimentos ou medicamentos de forma sensacionalista nem induzir pacientes à garantia de resultados, conforme o Código de Ética Médica e a Resolução CFM nº 2.336/23. Também é proibida a divulgação, fora do meio científico, de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja reconhecido cientificamente pelos órgãos competentes. Essa postura visa proteger os pacientes de práticas não testadas e potencialmente perigosas.
Implicações éticas e regulatórias
A tendência de usar gordura de cadáveres em procedimentos estéticos levanta questões éticas significativas, incluindo o consentimento dos doadores e a transparência no processo de doação. O Cremesp enfatiza a necessidade de rigor científico e ético na medicina, especialmente em áreas sensíveis como a estética, onde os riscos podem ser subestimados em prol de resultados cosméticos.
Em resumo, enquanto o AlloClae é vendido como uma solução conveniente e menos invasiva, a falta de evidências robustas e os alertas do Cremesp servem como um lembrete crucial para os consumidores. Pacientes interessados em procedimentos estéticos devem buscar orientação de profissionais qualificados e optar por tratamentos com segurança comprovada, evitando modismos que podem colocar a saúde em perigo.



