Estilo de vida moderno antecipa Alzheimer e altera sintomas da doença
O estilo de vida contemporâneo, caracterizado por uma exposição excessiva a telas digitais, estresse crônico, má qualidade do sono, sedentarismo e o avanço das doenças mentais, tem influenciado diretamente o aumento dos diagnósticos de Alzheimer e modificado a forma como a condição se manifesta. Tradicionalmente associada quase exclusivamente à velhice e à perda de memória, a doença agora é identificada cada vez mais cedo, apresentando sintomas que vão muito além do simples esquecimento.
Fatores de risco e conscientização
O excesso de telas, o estresse crônico, a má qualidade do sono, o sedentarismo e o avanço das doenças mentais estão entre os principais fatores que podem influenciar o diagnóstico do Alzheimer. Este alerta ganha especial relevância durante o Fevereiro Roxo, uma campanha de conscientização dedicada às doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A iniciativa reforça a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado para uma condição que ainda não tem cura, mas cujo diagnóstico precoce contribui significativamente para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Envelhecimento populacional e avanços científicos
Atenta a essa realidade, a Unimed Cuiabá mantém o Viver Bem, um núcleo de medicina preventiva que desenvolve programas de atenção integral à saúde voltados à promoção de hábitos saudáveis, redução de fatores de risco, prevenção de doenças e acompanhamento dos beneficiários. Segundo a médica geriatra Waltyane Poussan, do programa Viver Melhor, o aumento no número de diagnósticos é uma realidade e está relacionado principalmente ao envelhecimento populacional.
"A idade continua sendo o maior fator de risco conhecido para o Alzheimer. Quanto mais se vive, maior o risco de desenvolver algum tipo de demência. Aos 90 anos, esse risco pode chegar a 50%", explica a especialista.
Além do envelhecimento, os avanços da ciência e o maior acesso à informação têm permitido diagnósticos mais precoces e precisos. Exames que identificam proteínas associadas à doença no sangue e no líquor cefalorraquidiano, além de ressonâncias magnéticas com marcadores específicos, ampliaram a capacidade de detecção. A maior conscientização das famílias sobre sinais iniciais também contribui para esse cenário.
Sintomas iniciais e Alzheimer precoce
A especialista alerta que o Alzheimer nem sempre começa pela perda de memória. Entre os sinais iniciais frequentemente ignorados estão:
- Dificuldades para planejar tarefas simples
- Organizar despesas
- Seguir uma receita
- Tomar decisões cotidianas
- Alterações de linguagem
- Mudanças de comportamento
- Apatia
- Irritabilidade
- Desorientação espacial
Em muitos casos, esses sintomas são confundidos com estresse ou depressão tardia, o que atrasa o diagnóstico. Embora seja mais comum após os 65 anos, o Alzheimer também pode surgir entre os 40 e 60 anos, caracterizando o Alzheimer de início precoce. Mais raro, esse tipo costuma ter evolução mais rápida e causar grande impacto social, por atingir pessoas em idade produtiva.
Diagnóstico precoce e prevenção
Nos últimos anos, a ciência avançou no entendimento da doença, com o uso de testes sanguíneos, inteligência artificial no rastreio cognitivo e medicamentos que atuam diretamente na biologia do Alzheimer, como as terapias antiamiloides. Apesar disso, ainda não existe cura. A médica reforça que, apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a prevenção está diretamente ligada à adoção de hábitos saudáveis.
"Alzheimer não escolhe idade. E a vida não dá avisos. Cada sorriso que você compartilha hoje, cada memória que parece garantida, é um tesouro que um dia pode se perder. Valorize sua memória hoje, cuide da sua mente, da sua saúde e do seu coração, antes que ela se torne apenas lembrança", finaliza a especialista.
Suporte e cuidados no Viver Bem
No Viver Bem, as famílias contam com apoio desde o diagnóstico até o acompanhamento contínuo do paciente. Durante as consultas, são aplicados testes cognitivos, realizados exames médicos para exclusão de outras causas e oferecidas orientações sobre manejo e cuidado com o paciente. O núcleo também disponibiliza suporte da equipe de enfermagem, que facilita o acesso ao médico assistente, acompanha as interações durante o tratamento e orienta os cuidados no período pós-alta, com retorno organizado ao médico responsável.
Além disso, o Viver Bem oferece curso on-line de educação em saúde para cuidadores, com conteúdo sobre as diferentes apresentações da doença, tipos de demência, manejo das alterações de comportamento, cuidados ambientais para redução de quedas, além de orientações sobre alimentação e higiene.



