Nova diretriz americana redefine metas de colesterol e amplia exames para proteger o coração
A Associação Americana do Coração (AHA) e o Colégio Americano de Cardiologia (ACC) anunciaram nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, diretrizes atualizadas para o controle do colesterol e a prevenção das doenças cardiovasculares, que continuam sendo a principal causa de mortes em todo o mundo. O documento conjunto estabelece novas metas e exames para reduzir o risco cardíaco, enfatiza a necessidade de intervenção mais precoce no colesterol alto e alerta sobre os perigos a longo prazo de conviver com taxas elevadas de gordura no sangue.
Mudanças no check-up e novos exames recomendados
Na prática, essas atualizações vão se refletir diretamente nos check-ups médicos, que devem passar a incluir exames de sangue para mensurar a lipoproteína (a), apelidada entre especialistas de "colesterol amaldiçoado", e a apolipoproteína B. Além disso, o escore de cálcio, medido através de exames de imagem das artérias, ganha destaque na avaliação do risco cardiovascular.
"É uma diretriz que lembra muito a nossa, atualizada em 2025", comenta o cardiologista André Zimerman, chefe da Unidade de Ensaios Clínicos do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. "Os alvos e limites preconizados são parecidos com os nossos e eles também chamam a atenção para a dosagem da lipoproteína (a), uma partícula particularmente nociva às artérias."
Foco na prevenção precoce e risco cumulativo
O documento elaborado pelas principais entidades de cardiologia dos Estados Unidos é baseado em dezenas de estudos científicos e defende mudanças no estilo de vida e início de tratamento medicamentoso ainda mais cedo nos casos de colesterol elevado. Entre os hábitos encorajados estão:
- Manter o peso adequado
- Praticar exercícios físicos regularmenteEvitar o cigarro (incluindo o eletrônico)
- Buscar boas noites de sono
"Uma das mudanças importantes trazidas pela diretriz americana é a questão da prevenção da exposição cumulativa ao colesterol e às placas de gordura", afirma Zimerman. "Em vez de olhar para um risco nos próximos dez anos, é preciso mirar o longo prazo. O trabalho também ressalta a relevância de exames para detectar a aterosclerose subclínica, quando ainda não vemos manifestações do depósito de placas nos vasos."
Medicamentos tradicionais versus suplementos
Outro ponto destacado pelo especialista do Hospital Moinhos de Vento é a recomendação clara de não substituir os medicamentos tradicionais, validados por grandes estudos científicos, por suplementos alimentares ou fitoterápicos que prometem diminuir o colesterol – opções que se tornaram populares na internet, mas carecem de comprovação científica robusta.
Para os casos em que ajustes no estilo de vida não são suficientes para controlar as taxas de colesterol, a diretriz americana reforça a importância das estatinas, a principal classe de medicamentos para baixar o colesterol. Assim como os médicos brasileiros, os especialistas americanos defendem o uso da calculadora de risco cardiovascular PREVENT, referendada por pesquisas científicas.
Comparação com diretriz brasileira
Estima-se que pelo menos quatro em cada dez brasileiros tenham alterações prejudiciais nos exames de colesterol, o que aumenta significativamente a propensão a infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares. A nova diretriz americana segue caminho semelhante ao guia nacional publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2025, mas com algumas diferenças importantes.
"Em linha com os europeus, a gente recomenda baixar ainda mais o colesterol LDL para diminuir o risco de pacientes de risco extremo – como aqueles que já infartaram e têm placas nas artérias", explica Zimerman. "Isso é algo baseado nas evidências científicas atuais e representa um ponto em que a diretriz brasileira supera a americana."
As novas diretrizes representam um avanço significativo na prevenção cardiovascular, com foco na individualização do tratamento, detecção precoce de riscos e abordagem mais abrangente dos fatores que comprometem a saúde do coração.



