Dermatologista destaca importância da saúde da pele em região litorânea
Em um cenário onde a estética ganha cada vez mais destaque nas redes sociais e nos consultórios, a atenção à saúde da pele passa a dividir espaço com outras demandas. Este foi um dos temas centrais do podcast Baixada em Pauta, que recebeu a médica dermatologista Rita Paioli para uma conversa aprofundada sobre prevenção, câncer de pele e cuidados que vão muito além da aparência.
Durante o programa, conduzido pelos jornalistas Matheus Müller e Luiz Linna, a especialista abordou diversos aspectos cruciais para a saúde dermatológica, especialmente em uma região litorânea como a Baixada Santista, onde a exposição solar é frequente ao longo de todo o ano.
Estética e saúde caminham juntas
Rita Paioli explicou que o crescimento da procura por procedimentos estéticos nos consultórios ocorre de forma paralela ao acompanhamento da saúde da pele. Segundo ela, isso não significa que os pacientes deixem de buscar tratamento para doenças dermatológicas.
"Na verdade, não é que as pessoas deixem a doença de lado. Se alguém está com uma micose de unha, por exemplo, vai procurar tratamento... isso não é ignorado. Da mesma forma, se a pessoa tem uma pinta suspeita, ela procura o dermatologista para avaliar se pode ser um câncer", afirmou a médica.
De acordo com a dermatologista, a preocupação com a estética passou a caminhar junto com os cuidados com a saúde da pele, refletindo um movimento mais amplo observado no país. "Eu acredito que as pessoas, sim, se preocupam com a saúde da pele, e que essa preocupação passou a caminhar junto com a estética. O Brasil, inclusive, é o segundo maior mercado de beleza do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos", completou.
Câncer de pele exige atenção redobrada
A especialista alertou para os diferentes tipos de câncer de pele e explicou detalhadamente cada um deles:
- Carcinoma basocelular: O mais comum, geralmente associado à exposição solar sem proteção ao longo dos anos. Apesar de ser o tipo mais frequente, não dá metástase, mas pode causar danos locais importantes quando não tratado adequadamente.
- Carcinoma espinocelular: O segundo tipo mais comum, mais agressivo que o basocelular. Pode crescer mais rapidamente e, em alguns casos, apresentar risco de metástase, principalmente quando o diagnóstico é tardio.
- Melanoma: Embora menos frequente, é o tipo mais grave. Tem alto potencial de disseminação para outros órgãos e pode levar à morte se não for identificado precocemente.
Rita orientou sobre os sinais de alerta: "Se [a lesão] não cicatrizou depois de um mês, é preciso procurar um dermatologista. Qualquer tipo de lesão ulcerada que não cicatriza deve ser avaliada". E completou: "Às vezes, o paciente fala: 'Ai, doutora, tinha uma feridinha aqui, mas cicatrizou. Será que não é câncer?'. Não é. Se cicatrizou, não é câncer. O câncer não cicatriza e depois volta — ele simplesmente não cicatriza".
Uso correto do protetor solar é fundamental
Outro tema abordado no podcast foi o uso do protetor solar no dia a dia. Rita Paioli afirmou que o produto deve ser utilizado diariamente, inclusive em dias nublados, seguindo as orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
"O fator de proteção solar deve ser acima de 30. Fator 15, por exemplo, não é indicado. Eu mesma já não prescrevo FPS 30. Isso porque, quando a pessoa aplica um filtro com fator 30 em quantidade menor do que a recomendada, o que é muito comum, esse fator acaba caindo", explicou.
Segundo a dermatologista, por esse motivo, a indicação costuma ser por fatores mais elevados. "Eu prefiro indicar filtros com FPS 50 ou 60. Assim, mesmo que a pessoa aplique uma quantidade menor, a proteção efetiva ainda fica próxima de 30. Além disso, fatores mais altos tendem a durar um pouco mais, perdendo a proteção de forma gradual, como se fosse uma bateria", afirmou.
Rita também destacou que a reaplicação é fundamental, especialmente durante atividades ao ar livre e em situações de exposição prolongada, como praia e piscina. "No dia a dia, a minha recomendação é reaplicar o protetor a cada quatro horas, o que geralmente significa cerca de três aplicações por dia, especialmente para quem fica mais exposto", concluiu.
Cuidados com crianças e adolescentes
A dermatologista demonstrou preocupação com o uso precoce de produtos cosméticos por crianças e adolescentes. Segundo ela, crianças não precisam de rotinas elaboradas de skincare e o uso inadequado pode causar alergias e irritações na pele.
Rita explicou que, na maioria dos casos, sabonete adequado e protetor solar são suficientes, e que qualquer outro produto deve ser utilizado apenas com orientação de um dermatologista. "É importante que os pais entendam que a pele das crianças é mais sensível e requer cuidados específicos. O excesso de produtos pode ser prejudicial", alertou.
Procedimentos estéticos exigem cautela
Rita também comentou sobre o aumento da procura por procedimentos estéticos e alertou para os riscos de intervenções realizadas por pessoas não habilitadas. Ela destacou que excessos podem causar deformações permanentes e reforçou a importância de buscar profissionais médicos para esse tipo de tratamento.
Segundo a dermatologista, procedimentos como toxina botulínica e ácido hialurônico devem ser indicados com critério, respeitando idade, necessidade e características individuais de cada paciente. "Cada pessoa tem uma anatomia facial única, e os procedimentos devem ser personalizados. A busca por resultados naturais e harmoniosos deve sempre prevalecer sobre modismos passageiros", finalizou.



