Dengue e Chikungunya: Como as Arboviroses Afetam a Saúde das Articulações
O verão brasileiro intensifica um cenário preocupante: calor, chuvas e aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya. Essas arboviroses vão além da febre aguda, podendo comprometer músculos e articulações, com impactos duradouros na qualidade de vida. O reumatologista Vitor Cruz explora essa conexão, destacando a importância da prevenção para proteger a saúde musculoesquelética a longo prazo.
O Cenário das Arboviroses no Brasil
Todo ano, o ambiente favorece a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor de arboviroses como dengue, chikungunya, zika vírus, febre amarela e Mayaro. No Brasil, dengue e chikungunya se destacam pelo alto número de casos e repercussões clínicas, configurando um problema recorrente de saúde pública. Embora muitas pessoas associem essas infecções apenas a febre e mal-estar, elas também afetam músculos e articulações, um aspecto frequentemente subestimado.
Impacto na Saúde Musculoesquelética
Dores no corpo, rigidez articular e dificuldade de movimentação são comuns em arboviroses. Em alguns casos, o desconforto é intenso, limitando atividades diárias como caminhar ou trabalhar. Compreender como essas infecções repercutem nas articulações ajuda a diferenciar dores transitórias de consequências mais duradouras, variando conforme o vírus.
Dengue: Dor Aguda e Transitória
A dengue é conhecida por causar dores musculares e articulares intensas durante a fase aguda, descrita como "quebra o corpo". No entanto, essa dor costuma melhorar conforme a infecção se resolve, sendo geralmente transitória e relacionada à resposta inflamatória. Raramente evolui para sequelas articulares duradouras, o que reforça a importância de diferenciá-la de outras arboviroses.
Chikungunya: Risco de Cronificação Articular
Diferentemente da dengue, a chikungunya apresenta uma relação mais estreita com comprometimento articular persistente. Muitos pacientes convivem com dor, fadiga e dificuldades funcionais meses após a infecção, tornando-a um desafio particular para a saúde das articulações. Esse risco de cronificação explica por que a prevenção da chikungunya tem implicações que vão além do controle da fase aguda.
Prevenção como Estratégia de Proteção Articular
Evitar infecções por arboviroses é crucial não só para reduzir febre e complicações imediatas, mas também para proteger a saúde articular a longo prazo. No caso da chikungunya, prevenir novos casos diminui o número de pessoas que podem desenvolver dor persistente ou inflamação crônica.
- Vacinação contra a Dengue: O Brasil dispõe de vacinas aprovadas para faixas etárias específicas, geralmente crianças, adolescentes e adultos até cerca de 60 anos. Essas vacinas são seguras, com efeitos adversos leves, e eficazes na redução do risco e gravidade da doença, mas não são indicadas para pessoas imunossuprimidas.
- Medidas Gerais de Prevenção: Além da vacinação, combater a proliferação do Aedes aegypti através de eliminação de água parada e uso de repelentes é essencial para reduzir a transmissão de arboviroses.
Conclusão: Cuidando das Articulações no Futuro
As arboviroses não se encerram com o fim da febre; para muitos, especialmente com chikungunya, a dor e limitação funcional persistem. Cuidar da saúde das articulações envolve prevenir infecções que podem desencadear ou agravar problemas. Em um país onde essas doenças são rotineiras, investir em prevenção hoje é uma forma concreta de evitar sofrimento e garantir melhor qualidade de vida no futuro.
Vitor Cruz é reumatologista e coordenador da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da Sociedade Brasileira de Reumatologia.