Estudo liga bactéria Chlamydia pneumoniae na retina ao avanço do Alzheimer
Bactéria na retina pode estar ligada ao Alzheimer, diz estudo

Estudo revela ligação entre bactéria na retina e progressão do Alzheimer

Uma pesquisa publicada na revista Nature Communications no final de janeiro aponta que a presença da bactéria Chlamydia pneumoniae na retina pode estar associada à progressão da doença de Alzheimer. O estudo, conduzido por cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos, reforça a conexão entre infecções bacterianas e doenças neurodegenerativas, abrindo novas perspectivas para diagnóstico e tratamento.

Análise de tecidos revela níveis elevados da bactéria

Os pesquisadores analisaram tecidos de olho e cérebro de 104 pessoas após a morte, observando níveis mais altos da Chlamydia pneumoniae em indivíduos com Alzheimer. Embora essa bactéria seja comumente encontrada no sistema respiratório, ela já havia sido detectada em cérebros de pessoas com a doença. Agora, o estudo identificou uma quantidade significativamente maior também na retina, sugerindo uma ligação mais ampla.

Os resultados mostraram que a presença da bactéria está associada a:

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  • Maior inflamação e morte de células nervosas
  • Acúmulo elevado da proteína beta-amiloide no cérebro
  • Processos que contribuem para o avanço do Alzheimer

No entanto, os autores ressaltam que ainda não há comprovação definitiva de que a infecção seja a causa principal do problema, mas sim um fator que pode agravá-lo.

Olho como reflexo do cérebro e implicações para diagnóstico

Segundo Maya Koronyo-Hamaoui, neurocientista do Cedars-Sinai, o olho pode funcionar como um reflexo do cérebro. Ela explica: "O estudo mostra que a infecção bacteriana e a inflamação crônica na retina podem refletir a patologia cerebral e ajudar a prever o risco da doença, apoiando a ideia de exames oculares não invasivos para identificar pessoas em risco de Alzheimer."

Testes em laboratório com neurônios e modelos animais confirmaram que a infecção pela bactéria aumenta a inflamação e acelera a degeneração dos neurônios. Timothy Crother, biomédico do Cedars-Sinai, destaca que a descoberta abre caminho para novas formas de tratar o Alzheimer: "Essa descoberta levanta a possibilidade de tratar o eixo infecção-inflamação para combater o Alzheimer."

Limitações e próximos passos da pesquisa

Apesar dos resultados promissores, os autores enfatizam que mais pesquisas são necessárias para entender o papel exato da infecção no desenvolvimento do Alzheimer. O estudo sugere que a Chlamydia pneumoniae pode atuar como um fator agravante, e não como o gatilho principal da doença.

Os próximos passos incluem:

  1. Investigar como a bactéria ativa processos inflamatórios
  2. Avaliar se é possível bloquear esse efeito
  3. Testar se exames da retina podem prever o risco de demência de forma prática e segura

A relação entre olhos e cérebro tem sido cada vez mais estudada, e especialistas acreditam que avanços nessa área podem trazer novas estratégias para prevenir e tratar o Alzheimer e outras formas de demência.

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