Cinco minutos diários de atividade física podem aumentar expectativa de vida, revela estudo
5 minutos de exercício diário aumentam expectativa de vida

Cinco minutos diários de atividade física podem aumentar expectativa de vida, revela estudo

Um estudo publicado na prestigiada revista científica The Lancet revela que pequenas mudanças na rotina podem ter grande impacto na longevidade. A pesquisa demonstra que apenas cinco minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, ou trinta minutos a menos sentado, são capazes de aumentar significativamente a expectativa de vida e prevenir mortes.

Metodologia robusta com dados de 135 mil pessoas

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados de mais de 135 mil indivíduos da Noruega, Suécia, Estados Unidos e Reino Unido. O diferencial deste trabalho está na metodologia: ao contrário de estudos anteriores que se baseavam em questionários, aqui a atividade física e o tempo sedentário foram medidos por dispositivos eletrônicos, como relógios inteligentes, garantindo maior precisão nos dados coletados.

Ao longo do acompanhamento, foram registrados quase 8.400 óbitos, permitindo análises estatísticas robustas sobre a relação entre movimento e mortalidade.

Impacto significativo mesmo com pequenas mudanças

Os resultados são impressionantes. Entre os 20% menos ativos da população analisada, acrescentar apenas cinco minutos diários de atividade física moderada a vigorosa poderia reduzir em cerca de 6% o número total de mortes. Quando esse pequeno aumento de movimento é adotado por todos, exceto pelos mais ativos, a redução estimada chega a 10% das mortes.

Para ter uma ideia prática: em uma população com 100 mil mortes por ano, cerca de 6 mil vidas poderiam ser poupadas se os menos ativos passassem a se movimentar apenas cinco minutos a mais por dia.

O estudo também calculou o impacto de reduzir o tempo sedentário. Cortar trinta minutos por dia sentado poderia evitar cerca de 3% das mortes entre os menos ativos e 7,3% das mortes na abordagem populacional.

Diferenças entre homens e mulheres

Outra pesquisa publicada no British Journal of Sports Medicine analisou mais de 22 mil pessoas que se declaravam não praticantes de exercícios. Todos usaram acelerômetros no pulso, capazes de medir não apenas quanto se movimentavam, mas também a intensidade dos movimentos.

O achado mais significativo foi a dose mínima necessária para benefícios cardiovasculares. Entre as mulheres, apenas 1 a 4 minutos por dia de atividade vigorosa já se associaram a uma redução importante do risco de eventos cardiovasculares graves. Na prática, a média observada foi de 3,4 minutos diários, associada a:

  • 45% menos risco de eventos cardiovasculares maiores
  • 51% menos risco de infarto
  • 67% menos risco de insuficiência cardíaca

Entre os homens, as associações apareceram mais fracas e, em alguns casos, não atingiram significância estatística. Segundo os autores, isso não significa que o esforço diário não traga benefícios, mas sugere que, para eles, exercícios estruturados ainda podem ter papel mais claro na proteção cardiovascular.

Explicação fisiológica para as diferenças

Uma possível explicação para essa disparidade está na fisiologia. Mulheres têm, em média, menor capacidade cardiorrespiratória. Isso significa que a mesma tarefa cotidiana, como subir escadas rapidamente, representa um esforço relativo maior para elas.

Os dados mostram que, durante esses picos de atividade intensa, as mulheres atingiam cerca de 83% da sua capacidade máxima de consumo de oxigênio, enquanto os homens ficavam em torno de 70%. Essa diferença pode explicar por que pequenas doses de atividade intensa têm impacto mais evidente na saúde cardiovascular feminina.

Primeiro passo, não solução milagrosa

Os pesquisadores são claros ao afirmar que três ou cinco minutos de atividade não devem ser encarados como uma solução milagrosa. Uma boa saúde depende também de alimentação equilibrada, sono de qualidade e hábitos de vida saudáveis.

O estudo não diminui a importância do exercício planejado. Inclusive, a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana. E essas recomendações não devem ficar de escanteio.

O que os autores reforçam é que pequenas mudanças no dia a dia, como subir escadas, andar mais ou reduzir trinta minutos de tempo sentado, já podem ser um primeiro passo importante para melhorar a saúde e aumentar a expectativa de vida.

Como destacou Ulf Ekelund, professor do Centro de Pesquisa em Atividade Física e Saúde Populacional de Oslo, "se todos os grupos populacionais reduzissem seu tempo sentado em 30 minutos, de 3 mil a 7 mil mortes poderiam ser evitadas em uma população de 100 mil mortes". Esses números aproximam-se da taxa anual de mortalidade na Suécia, demonstrando o potencial transformador de mudanças aparentemente pequenas na rotina diária.