Oficina em Óbidos fortalece comunicação como prática acessível para mulheres
Uma oficina de Narrativas Comunitárias realizada em Óbidos reuniu mulheres atendidas pelo projeto Mulheres Fortes, Crianças Seguras, uma iniciativa da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas com financiamento da Alcoa Foundation. A atividade ocorreu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Públicos e teve como foco central o uso da comunicação como ferramenta de autonomia e visibilidade para as participantes.
Comunicação como habilidade técnica e não dom
Durante as oficinas, foi enfatizado que a comunicação não deve ser encarada como um dom, mas sim como uma prática técnica acessível a todas as pessoas. A coordenadora técnica Luciana Guedes explicou que o objetivo principal foi estimular as mulheres a se posicionarem socialmente e projetarem novos caminhos em suas vidas.
Segundo ela, a proposta é ajudar cada mulher a expressar suas necessidades e aspirações em diversos espaços, como a universidade, o mercado de trabalho e audiências públicas. “Falar sobre comunicação para essas mulheres não é apenas narrar histórias, mas sim pensar no próximo passo que o projeto as levará a dar”, destacou Luciana Guedes.
Técnicas práticas e dimensão cidadã
A formação foi conduzida pelo jornalista Henrique Britto, que apresentou técnicas práticas de produção de conteúdo e oratória. Ele abordou desde a organização de ideias para vídeos até noções de ética, segurança jurídica e uso responsável das redes sociais, reforçando que comunicar é uma habilidade que pode ser aprendida por qualquer pessoa.
“O Brasil é o segundo país com maior número de usuários no Instagram, mas as histórias dessas mulheres ainda estão escondidas. Saber como contar essas histórias é o que permite aproximar outras mulheres do projeto”, afirmou Henrique Britto.
A dimensão cidadã da comunicação também foi ressaltada por Auta Santarém, tesoureira da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas e presidente da Associação de Mulheres de Óbidos. Ela destacou que perder o medo de falar em público é essencial para que as mulheres consigam reivindicar direitos e fortalecer suas pautas coletivas.
“Muitas mulheres ficam inibidas e não conquistam seu espaço ou políticas públicas por medo da câmera ou de falar em público. Esta oficina é crucial para que elas percam essa vergonha e conquistem seu espaço antes das nossas audiências públicas”, declarou Auta Santarém.
Impacto pessoal e social das participantes
Entre as participantes, o aprendizado foi visto como um passo significativo para o crescimento pessoal e social. Jakeline Marinho, que retomou os estudos após a maternidade, afirmou que a oficina ajudou a ganhar confiança para se expressar melhor.
“Eu me afastei da escola por problemas pessoais e, após a gravidez, o retorno foi dificultoso. Hoje, me sinto muito feliz por aprender a me comunicar melhor”, ressaltou Jakeline Marinho.
Ivaneide Nunes relatou que passou a enxergar as redes sociais como um espaço estratégico para divulgar o projeto e seus objetivos pessoais. “Não quero parar por aqui, quero mostrar do que sou capaz e ingressar na faculdade de Pedagogia”, destacou Ivaneide Nunes.
Esta iniciativa reforça a importância de capacitações que empoderam mulheres através da comunicação, transformando-a em uma ferramenta prática para autonomia e visibilidade em suas comunidades.