Jovem com Síndrome de Down descobre paixão pela fotografia e almeja carreira profissional
Jovem com Síndrome de Down sonha com carreira na fotografia

Jovem com Síndrome de Down descobre paixão pela fotografia e almeja carreira profissional

Celebrado neste sábado (21), o Dia Internacional da Síndrome de Down reforça a importância da inclusão de pessoas com essa condição genética. Em Presidente Prudente (SP), famílias da comunidade compartilham a rotina e os desafios de adaptação, demonstrando que, apesar das diferenças, é possível realizar atividades comuns e alcançar sonhos.

O sonho de Pedro: fotografar o mundo

No caso de Pedro Rodrigues Ferreira, de 22 anos, ele descobriu, há um ano, o amor pela fotografia e pretende seguir carreira na área. "Através das fotos, eu quero passar uma mensagem para a experiência das pessoas e experiência da natureza. Eu gosto de tudo que é bonito", afirma o jovem, que também pratica karatê e treinos de academia.

Pedro se sente incluído pela família e amigos: "Eu me sinto feliz, faço tudo que for melhor na minha vida, porque eu gosto. Ser Down, para mim, é normal, porque eu sou igual a todo mundo. Eu não gosto de ser tratado diferente. Acho importante o Dia Mundial da Síndrome de Down para lutarmos pelos nossos direitos".

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Entendendo a Síndrome de Down

Segundo o Ministério da Saúde, geralmente, cada célula humana possui 46 cromossomos, divididos em 23 pares. Na Síndrome de Down, há uma terceira cópia do cromossomo 21 em todas as células (trissomia), resultando em 47 cromossomos. Estima-se que no Brasil a condição ocorra em um a cada 700 nascimentos, totalizando cerca de 270 mil pessoas.

As características físicas associadas incluem:

  • Olhos amendoados
  • Maior propensão a algumas doenças
  • Hipotonia muscular

Os desafios da inclusão no cotidiano

Mãe de Pedro e psicóloga, Cristiane Marques Rodrigues Ferreira, de 53 anos, reforça que a T21 vai além do diagnóstico: "São pessoas com sentimentos, desejos, personalidade e que merecem ser vistas por quem são de verdade". Ela destaca que o maior desafio está no mundo exterior: "É o olhar, a falta de preparo, a falta de informação. Isso ainda pesa muito".

Esse sentimento é compartilhado por Thaiane Ferreira Rodrigues, de 40 anos, mãe de João Lucas, de cinco anos, que tem T21. A empresária relata que o capacitismo é a principal barreira: "Ele está nas falas 'comuns', nos olhares, nas atitudes que diminuem, rotulam e excluem. Eu já vivi episódios que nenhuma mãe deveria viver".

Thaiane lembra de um episódio onde uma pessoa se referiu ao filho de forma pejorativa: "Chamou de 'dodói da cabeça', mesmo depois de eu pedir respeito. Isso não é só sobre falta de educação. É sobre o lugar que a sociedade ainda insiste em colocar nossos filhos".

Iniciativas para promover a inclusão

Cristiane ressalta a importância de pessoas que acreditam no potencial de Pedro, como sua professora de fotografia e mestre de karatê: "Sempre incentivando, faz ele se sentir capaz e isso faz toda a diferença. Inclusão começa no convívio, no respeito, na oportunidade".

Thaiane trabalha com treinamentos e palestras voltadas à inclusão de pessoas com deficiência e letramento anticapacitista. Ela também integra a diretoria da Associação do Oeste Paulista de Síndrome de Down (AOPDown), que atende 60 famílias da região.

"Cada projeto é personalizado, porque cada empresa está em um nível diferente de maturidade quando o assunto é inclusão", explica Thaiane. "É preciso revisar crenças e o capacitismo estrutural, mudar comportamento. Incluir não é adaptar a pessoa, é transformar o ambiente".

O significado da data

Thaiane finaliza refletindo sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down: "Não é só uma data simbólica. É um chamado para olhar com mais responsabilidade, rever atitudes, buscar conhecimento. A inclusão começa no respeito, e respeito não é discurso, é prática diária".

Enquanto isso, Pedro continua a perseguir seu sonho na fotografia, mostrando que, com apoio e oportunidades, as barreiras podem ser superadas.

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