Carlinhos de Jesus celebra recuperação de doença autoimune e supera desafios
Carlinhos de Jesus celebra recuperação de doença autoimune

Um dos maiores nomes da dança no Brasil, o dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus celebrou sua recuperação de uma doença autoimune que o fez pensar em abandonar a carreira. Durante o tratamento de neuroradiculopatia desmielinizante inflamatória crônica, ele perdeu os movimentos das pernas por meses. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, revelou que chegou a considerar atuar como pedagogo e motorista de aplicativo enquanto estava internado, precisando de morfina por mais de 10 dias.

Superação e retorno à dança

Carlinhos contou que, durante uma madrugada sem dormir no hospital, pensou em distribuir currículos perto de casa para trabalhar em uma escola e, no tempo livre, ser motorista de aplicativo. No entanto, ele se recuperou e jamais abandonou a dança. Recentemente, esteve em Santos, no litoral de São Paulo, para ministrar uma oficina de samba no Centro de Cultura Patrícia Galvão.

O jurado do quadro Dança dos Famosos, do Domingão do Huck, afirmou ao apresentador Rodrigo Nardelli que foi difícil receber o diagnóstico, mas é grato pelo tratamento que permitiu uma recuperação antes do previsto. “Eu acho que a gente tem que mostrar para as pessoas o que é dançar e não uma sequência coreográfica. É mostrar e ela entender, e o corpo entender aquele movimento”, disse.

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Desafios pessoais e familiares

Carlinhos também enfrentou o maior desafio de sua vida anos atrás, quando perdeu o filho assassinado no Rio de Janeiro. “Não existe dor maior do que essa”, lamentou. Apesar das adversidades, ele encontrou forças na dança e na família para seguir em frente.

Entrevista completa

Na entrevista, Carlinhos refletiu sobre o significado da dança: “Dançar é expressar com o corpo um sentimento, ou a expressão sem a palavra. Você diz, você fala, sem usar a boca, a frase, o som. É o movimento que te transmite o entendimento da mensagem, da emoção.”

Ele também falou sobre seu retorno à Sapucaí após cinco anos, usando uma cadeira motorizada. “Foi meu retorno depois de cinco anos. Eu volto para Sapucaí e espero o ano que vem estar de volta sem a cadeira motorizada.”

Tratamento e recuperação

Carlinhos detalhou o tratamento: ficou 15 dias internado, dos quais 12 dias à base de morfina devido à dor intensa. Durante a internação, pensou em alternativas de trabalho, mas a dança o chamou de volta. “A dança foi e é e será sempre o meu suporte”, afirmou.

Ele explicou que a doença, uma neuroradiculopatia desmielinizante inflamatória crônica, pode atingir qualquer pessoa. “Dentro do pior, eu ainda tive sorte. Deus foi bom comigo que deixou eu, com 73 anos, ter isso. Se eu tivesse isso com 20, eu não estarei aqui hoje.”

O dançarino destacou a importância da qualidade de vida: “O importante é você ter qualidade de vida. Se você vai viver andando ou numa cadeira de rodas, isso é o de menos.” Ele se recuperou em 7 meses, quando a previsão era de 1 ano e 7 meses. Esse marco ocorreu durante o Dança dos Famosos, quando ele conseguiu ficar de pé, ainda dependendo de cadeira para longas distâncias ou bengala.

Carlinhos atribuiu a recuperação à ciência, à imunoglobulina humana que toma mensalmente e à fisioterapia com José Vicente Martins. “Eu faço muito essa fisioterapia seca, digamos, e a fisioterapia aquática, que são atividades fundamentais para minha recuperação.”

A dança como suporte

Mesmo no hospital, a dança o acompanhava. Ele tinha um compromisso com o Festival de Dança de Joinville, o maior do mundo. “Eu e minha mulher discutindo isso, porque ela é minha agente... E ela liga para Joinville, que diz: 'Olha, ele só não vem se ele não quiser, porque nós queremos a presença dele... ele, na cadeira de rodas ou em pé, a gente quer ele de qualquer maneira'.”

Esse apoio o motivou: “A dança mais uma vez, foi o meu suporte, além da minha família, claro, da medicina e dos amigos, mas o que me levantou de eu dizer: 'poxa, tudo bem que eu sou pedagogo, tudo bem que eu vou fazer Uber, mas a dança ainda me quer'.”

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Carlinhos concluiu: “Eu perdi um filho brutalmente assassinado no Rio de Janeiro e não existe dor maior do que essa... E eu consegui superar isso, sabe? Me levantei moralmente e segui minha vida. Eu digo, se eu conseguir com a maior dor da minha vida, por que que eu não vou conseguir agora?”