Poetisa mineira Adélia Prado apresenta melhora clínica e deixa UTI
A renomada poetisa mineira Adélia Prado, de 90 anos, apresentou uma significativa melhora em seu quadro de saúde após uma semana de internação no Hospital São Judas Tadeu, localizado em Divinópolis, Minas Gerais. Nesta quarta-feira, dia 28, a escritora recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferida para uma unidade de internação comum, onde continuará o tratamento médico necessário.
Evolução satisfatória e estabilidade clínica
De acordo com o boletim médico divulgado pela instituição hospitalar, Adélia Prado alcançou um quadro de estabilidade clínica desde terça-feira (27), evoluindo de maneira satisfatória. A paciente seguirá internada para a conclusão do tratamento com antibióticos e para a continuidade do processo de reabilitação, sob o cuidadoso acompanhamento da equipe multiprofissional do hospital.
O comunicado oficial ainda ressaltou que novas informações sobre o estado de saúde da poeta serão divulgadas oportunamente, conforme a evolução clínica apresentada. A notícia trouxe alívio para familiares, amigos e admiradores da escritora, que acompanham com apreensão sua recuperação.
Acidente doméstico que motivou a internação
A internação de Adélia Prado ocorreu após a escritora sofrer um acidente doméstico em sua residência, no dia 19 de janeiro. Ela sofreu uma queda que resultou em fraturas no fêmur, no cotovelo e no punho, sendo submetida a duas cirurgias ortopédicas para correção das lesões. Após os procedimentos cirúrgicos, a poetisa iniciou o período de recuperação na Unidade de Terapia Intensiva até esta quarta-feira.
Trajetória e reconhecimento na literatura brasileira
Adélia Prado, que completou 90 anos no dia 13 de dezembro, é considerada uma das maiores escritoras da literatura brasileira. Nascida em Divinópolis no ano de 1935, ela construiu uma obra marcante que fusiona o cotidiano, a fé e a experiência feminina de maneira única e profunda.
Entre seus livros mais conhecidos e aclamados pela crítica estão:
- “A Bagagem” (1976)
- “O Coração Disparado” (1978)
- “Solte os Cachorros” (1979)
A poetisa atuou como professora por 24 anos antes de se dedicar integralmente à carreira literária. Ela já foi indicada à Academia Brasileira de Letras (ABL) e, em 2024, conquistou dois dos mais importantes prêmios literários:
- Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras.
- Prêmio Camões, considerado o mais importante da língua portuguesa.
Também em 2024, após uma década sem novas publicações, Adélia Prado anunciou o lançamento de “O Jardim das Oliveiras”, uma obra que reúne 25 poemas inéditos. A inspiração para este trabalho veio de textos guardados em gavetas, escritos ainda durante sua juventude, celebrando tanto a aridez da existência quanto a possibilidade de transcendência.
Homenagens e reconhecimentos recentes
No ano passado, a poetisa recebeu uma bênção apostólica do Papa Leão XIV em celebração aos seus 90 anos, completados em dezembro. O pedito partiu da Diocese de Divinópolis, encaminhado à Santa Sé, e a resposta surpreendeu positivamente a comunidade católica local.
Além disso, em 2017, Adélia Prado foi a primeira mulher a receber o prêmio na categoria Conjunto da Obra no concurso Literatura do Governo de Minas, um reconhecimento à sua valiosa contribuição para a literatura brasileira.
A trajetória de Adélia Prado continua a inspirar gerações de leitores e escritores, mantendo viva sua importância no cenário cultural do Brasil. Sua recuperação é acompanhada com carinho e esperança por todos que valorizam sua obra e sua pessoa.