Dia do Orgulho Gay: desafios de LGBTQIA+ no mercado de trabalho em Presidente Prudente
Orgulho Gay: dificuldades no trabalho em Presidente Prudente

Dia Nacional do Orgulho Gay destaca luta contra discriminação no ambiente profissional

O Dia Nacional do Orgulho Gay é celebrado nesta quarta-feira (25) com foco no combate à discriminação e na promoção do respeito à comunidade LGBTQIA+. A data reforça a importância da inclusão social, mas em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, membros da sigla enfrentam dificuldades significativas para ingressar no mercado de trabalho formal.

Histórias de preconceito e exclusão

Diego Lacal, de 20 anos, é um homem trans que trabalha como videomaker após desistir do sonho de seguir carreira na pedagogia. O interesse pela área surgiu após enfrentar episódios de preconceito durante o período escolar, mas logo no primeiro estágio foi desencorajado por uma professora que o considerou "uma má influência para os alunos".

"Eu não pude fazer o meu estágio. Ela me trocou de sala, foi bem horrível. Eu perdi todo o encanto e desisti da faculdade agora", relembra Diego, que também relatou situações constrangedoras em uma empresa onde trabalhou, incluindo perguntas inadequadas no banheiro e a manutenção de seu "nome morto" no crachá e sistema, mesmo após a retificação.

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Múltiplas formas de discriminação

Kayetty Ortega, de 29 anos, que se identifica como travesti, desenvolveu múltiplas habilidades como cabeleireira, maquiadora, atendente e faxineira para ampliar suas chances no mercado. No entanto, enfrenta preconceito tanto por sua identidade de gênero quanto por ser gorda.

"Eu sempre sofri muito preconceito dentro do mercado de trabalho por ser uma pessoa gorda e travesti. Já passei por constrangimentos de entregar o currículo e depois saber que a dona disse que jamais ia querer um 'traveco' trabalhando na empresa dela", explica Kayetty, reforçando que o termo é pejorativo.

Contexto legal e denúncias

Desde junho de 2019, a homofobia e transfobia são consideradas crimes pelo Supremo Tribunal Federal, enquadradas na lei do racismo. As penas variam de um a cinco anos de prisão, além de multa. Apesar disso, o Ministério Público do Trabalho na região de Presidente Prudente recebeu duas denúncias em 2023 e uma em 2024 relacionadas a irregularidades cometidas por empresas devido à sexualidade e identidade de gênero dos trabalhadores.

Diego reflete sobre a realidade enfrentada: "Eu sempre fui gentil com todo mundo. Nunca fiz nada de errado na minha vida e, mesmo assim, eu sou visto como se eu fosse um criminoso. A pessoa trata a gente como se a gente fosse inferior".

Kayetty complementa: "Nós só queremos trabalhar, só queremos uma oportunidade. A transfobia é o que mais mata. Nós somos travestis e somos pessoas normais. Não sou um monstro, sou uma pessoa normal".

O Dia do Orgulho Gay serve como momento de reflexão sobre essas barreiras estruturais que persistem mesmo com avanços legais, destacando a necessidade contínua de educação, conscientização e políticas de inclusão no ambiente profissional.

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