Funcionários da TVT iniciam greve por direitos trabalhistas após impasse em negociações
Greve na TVT por direitos trabalhistas após negociações falharem

Funcionários da TVT entram em greve por direitos trabalhistas após impasse em negociações

Os trabalhadores da TV dos Trabalhadores (TVT) iniciaram uma greve de 24 horas na manhã desta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, após as negociações sobre estabilidade e benefícios não chegarem a um acordo. A paralisação ocorreu na Avenida Paulista, em frente à sede da emissora, destacando as demandas por melhores condições de trabalho.

Contexto da emissora e motivações da greve

A TVT é uma concessão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que teve papel significativo na projeção política do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A emissora também é mantida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e é conhecida por sua cobertura focada na defesa dos direitos trabalhistas, incluindo paralisações de diversas categorias e manifestações populares.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, as negociações começaram em outubro do ano passado. Os funcionários inicialmente pediram um vale-refeição diário de 45 reais, argumentando que esse valor é compatível com os preços das refeições na região da Paulista. Após discussões, concordaram em reduzir para 35 reais, desde que o benefício fosse pago também durante as férias. No entanto, a empresa ofereceu um teto de 34 reais, sem pagamento nas férias, levando ao impasse.

Demandas específicas e pontos de conflito

Vale-refeição e estabilidade: A diretora de Ação Sindical do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Girrana Rodrigues, destacou a importância dessas pautas. "Abrimos mão de muitas coisas importantes ao longo do processo de negociação, mas essas pautas são fundamentais para nós. Os trabalhadores também precisam comer quando estão de férias", afirmou.

Outro ponto crítico foi a garantia de estabilidade para o representante dos empregados na empresa. Acordos coletivos anteriores previam essa estabilidade, mas ela foi retirada na última revisão. Rodrigues explicou que a representação precisa de autonomia para levar demandas à direção, especialmente em uma empresa como a TVT, que é uma fundação pública e pode receber emendas parlamentares.

Outras reivindicações e acordos parciais

  • Substituição de função: Os trabalhadores pediram que o tempo para substituição em outra função fosse reduzido de dezenove para dez dias.
  • Abono de substituição: Inicialmente demandado em 3.000 reais, a assembleia aprovou um valor de 1.500 reais.
  • Auxílio Creche: Os funcionários alegam que o benefício foi ajustado apenas pela inflação e ainda está abaixo do valor da Convenção Coletiva de Trabalho.
  • Horas extras: Foi acordado adiar a discussão sobre o pagamento, pois atualmente os trabalhadores operam com banco de horas, que em alguns casos acumula mais de um mês.

Assembleias e restrições impostas

As assembleias dos funcionários também se tornaram um ponto de discórdia. Tradicionalmente, era permitido realizá-las nas dependências da TVT durante o horário de trabalho, mas neste ano, após a primeira assembleia desta rodada de negociações, a empresa passou a permitir reuniões apenas fora do horário laboral. Como resposta, os trabalhadores decidiram realizar as assembleias no horário de almoço, do lado de fora da empresa.

A greve, com duração prevista de um dia, simboliza a luta contínua por direitos trabalhistas em um veículo que historicamente defende essas causas. As negociações continuam em aberto, com os sindicatos pressionando por um acordo que atenda às demandas dos funcionários.