Fazendas de Amado Batista são incluídas na lista suja do trabalho escravo após fiscalização
O nome do cantor Amado Batista foi incluído na chamada "lista suja" do trabalho escravo, atualizada pelo Governo Federal na segunda-feira (6). A inclusão ocorreu após ações de fiscalização realizadas em duas propriedades do artista em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia, durante o ano de 2024.
Condições precárias e jornadas exaustivas
De acordo com relatórios do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), as fazendas apresentavam condições de habitação extremamente precárias. Os trabalhadores não dispunham de camas, dormindo sobre colchões no chão, sem roupas de cama adequadas ou armários individuais para guardar objetos pessoais.
As condições de higiene eram consideradas insatisfatórias, não havendo sequer local apropriado para as refeições, com ausência de mesas e cadeiras. A fiscalização identificou que 14 funcionários teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão, sendo 10 no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata.
Detalhes das fiscalizações
As inspeções ocorreram entre 19 e 29 de novembro de 2024, após denúncia recebida pela Polícia Civil de Goiás sobre possíveis irregularidades trabalhistas. As duas propriedades são vizinhas e estão situadas na BR-060, zona rural de Goianápolis.
No Sítio Recanto da Mata, destinado ao cultivo de milho, quatro trabalhadores teriam sido encontrados em condições degradantes com jornada exaustiva. Já no Sítio Esperança, voltado para a produção de leite, 10 pessoas foram identificadas em situação similar.
Os relatórios indicam que as jornadas de trabalho chegavam a impressionantes 18 horas diárias em alguns casos. Trabalhadores entrevistados relataram que cumpriam entre 12 e 16 horas de trabalho todos os dias da semana, sem registro formal e sem terem recebido salários do mês anterior.
Posicionamento da defesa
O advogado do cantor, Mauricio Carvalho, contestou várias informações apresentadas pelos órgãos fiscalizadores. Segundo a defesa, não houve resgate de trabalhadores nas propriedades, e todas as irregularidades apontadas já teriam sido corrigidas.
Carvalho explicou que o Sítio Recanto da Mata foi arrendado para plantio de milho, e as irregularidades encontradas referiam-se a quatro colaboradores de uma empresa terceirizada. Após a fiscalização, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT, onde todas as obrigações trabalhistas foram quitadas.
Sobre o Sítio Esperança, a defesa afirmou que foram identificadas correções necessárias na moradia e áreas de convivência, mas que as obras já foram finalizadas. Todos os funcionários são registrados e recebem normalmente seus direitos trabalhistas, segundo o advogado.
Contexto e desdobramentos
A inclusão na lista suja do trabalho escravo representa uma medida administrativa grave, com consequências para a imagem pública e possíveis implicações legais. O caso chama atenção para as condições de trabalho no setor rural brasileiro, especialmente em propriedades de figuras públicas.
As fiscalizações continuam sendo acompanhadas pelos órgãos competentes, que monitoram o cumprimento das correções exigidas. A situação destaca a importância da vigilância constante sobre as relações trabalhistas, mesmo em propriedades de personalidades conhecidas nacionalmente.



