Governo atualiza 'lista suja' do trabalho escravo e inclui Amado Batista e BYD
O nome do cantor Amado Batista e da empresa BYD foram incluídos na "lista suja" do trabalho escravo, atualizada na segunda-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As irregularidades foram apontadas em duas propriedades localizadas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia, após uma fiscalização realizada em 2024.
O que é a "lista suja" do trabalho escravo?
A "lista suja" é um documento público, atualizado pelo MTE, que reúne nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. A inclusão ocorre apenas após a conclusão de um processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em regra, os nomes permanecem no cadastro por dois anos, e a exclusão depende da regularização da situação.
Por que Amado Batista e BYD foram adicionados na lista?
O cantor e a empresa foram incluídos na atualização de 6 de abril de 2026 após fiscalizações realizadas em 2024 em duas propriedades em Goianápolis. De acordo com o documento, 14 funcionários teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão, sendo 10 no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata, ambas situadas na BR-060, zona rural da cidade.
Quais as irregularidades encontradas?
De acordo com o MTE, as propriedades foram fiscalizadas de 19 a 29 de novembro de 2024, após uma denúncia sobre possíveis irregularidades trabalhistas. No Sítio Recanto da Mata, quatro trabalhadores teriam sido resgatados em condições degradantes e jornada exaustiva. Já no Sítio Esperança, 10 pessoas foram encontradas em situação de jornada exaustiva de trabalho.
As condições do local eram extremamente precárias, sem camas, com trabalhadores dormindo sobre colchões no chão, falta de higiene e local para refeições. Os trabalhadores relataram jornadas de 12 a 16 horas diárias, sem registro e sem receber salários do mês anterior.
O que a defesa do cantor alega?
O advogado do cantor, Mauricio Carvalho, informou que não houve resgate de trabalhadores e que as irregularidades foram "corrigidas". Ele explicou que as irregularidades no Sítio Recanto da Mata, uma fazenda arrendada para plantio de milho, envolveram quatro colaboradores de uma empresa terceirizada, e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado com o Ministério Público do Trabalho, com todas as obrigações quitadas.
Sobre o Sítio Esperança, utilizado para criação de bovinos, a defesa frisou que correções na moradia e áreas de convivência já foram finalizadas.
Como denunciar casos de trabalho análogo à escravidão?
As denúncias podem ser realizadas online e de forma sigilosa por meio do Sistema Ipê, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), uma plataforma exclusiva para recebimento de denúncias relacionadas a condições análogas à escravidão.



