25 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em fazenda de Mato Grosso
25 resgatados de trabalho escravo em MT: condições degradantes

Operação fiscal resgata 25 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Mato Grosso

Uma operação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE-MT) resgatou 25 trabalhadores que estavam submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Peixoto de Azevedo, município situado a 692 quilômetros de Cuiabá. A ação ocorreu entre os dias 26 e 28 de setembro e resultou no encaminhamento do caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Condições degradantes e isolamento extremo

A auditoria fiscal identificou situações graves de violação de direitos humanos, incluindo cerceamento de liberdade, servidão por dívida e condições de trabalho e moradia consideradas degradantes. A propriedade rural, dedicada à criação de gado, encontra-se em local isolado, acessível por aproximadamente 100 quilômetros de estrada de chão em péssimas condições.

Os trabalhadores resgatados eram originários de diversos estados brasileiros:

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  • Maranhão
  • PiauíTocantins
  • Pará
  • Mato Grosso

Eles estavam distribuídos entre a sede da fazenda e seis retiros, completamente isolados do mundo exterior. Não havia sinal de telefone nem acesso à internet nos alojamentos, com o único ponto de conexão limitada localizado entre 4 e 17 quilômetros de distância, sem qualquer meio de transporte disponível.

Violações sistemáticas de direitos trabalhistas

A fiscalização documentou múltiplas irregularidades que caracterizavam trabalho análogo à escravidão:

  1. Jornada extenuante: A maioria dos trabalhadores laborava de segunda a sábado, com trabalhos extras aos domingos sem registro formal, configurando jornada contínua sem descanso semanal remunerado adequado.
  2. Endividamento forçado: Os empregados assinavam vales e recibos em branco, sem discriminação de valores, enquanto produtos essenciais como itens de higiene pessoal, limpeza e até papel higiênico eram vendidos em almoxarifado interno da propriedade.
  3. Condições de moradia degradantes: Ausência de estrutura para lavagem e secagem de roupas, falta de roupas de cama e exposição a riscos químicos, com vestimentas utilizadas na aplicação de agrotóxicos sendo lavadas junto às roupas pessoais.
  4. Riscos à segurança: Trabalhadores operavam máquinas sem capacitação adequada e em condições de risco grave.

Penalidades aplicadas e acolhimento aos resgatados

Durante a operação, a fiscalização interditou diversos setores e equipamentos da propriedade:

  • Espaços confinados
  • Fábrica de ração
  • Oficina mecânica
  • Serralheria
  • Açougue
  • 10 máquinas agrícolas
  • Instalações elétricas
  • Cozinha da sede (por condições precárias de higiene)

O proprietário da fazenda foi notificado a pagar verbas rescisórias que ultrapassam R$ 500 mil. Após o resgate, os trabalhadores receberam acolhimento através do Projeto Ação Integrada (PAI/MT), coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A operação contou com o apoio fundamental da Polícia Militar de Mato Grosso (PM-MT) e da Polícia Federal, demonstrando a importância da atuação integrada entre órgãos públicos no combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil.

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