Vereador de Santa Catarina é afastado após defender morte de cães durante sessão
A Câmara de Vereadores de Major Vieira, em Santa Catarina, decidiu pelo afastamento de 30 dias do vereador Osni Novack, do MDB, após ele utilizar o microfone da Casa durante uma sessão ordinária para defender a morte de cães soltos na cidade. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19), em resposta às declarações proferidas pelo parlamentar na sessão de segunda-feira (16), que rapidamente repercutiram nas redes sociais e geraram indignação pública.
Declarações polêmicas e investigação policial
Durante a discussão sobre relatos de ataques de cães a moradores, o vereador afirmou que "alguém tinha que fazer um servicinho" nos animais, acrescentando: "Uma freira foi matada e ninguém comentou. Hoje, se matar um cachorro, vai parar na cadeia. Para mim, vamos dizer assim, tinha que matar esses cachorros". As palavras motivaram a instauração de uma comissão processante na Câmara e também uma investigação pela Polícia Civil, que apura possível incitação à violência contra animais.
Retratação pública e protestos
Na sessão desta quinta-feira, foi lida uma nota de retratação assinada pelo vereador, na qual ele pediu afastamento por 30 dias das funções administrativas. No documento, Osni Novack afirmou que "a forma como se expressou não reflete seu posicionamento pessoal nem sua conduta ao longo da vida", ressaltando que é tutor de diversos animais e que votou favoravelmente a iniciativas voltadas à proteção animal. A declaração, no entanto, não impediu protestos de defensores da causa animal, que compareceram ao plenário com cartazes dizendo "Maltratar animais é crime" e "Todos os animais têm direito à vida. Proteja quem não tem voz".
Posicionamento da prefeitura e contexto legal
A prefeitura de Major Vieira emitiu nota afirmando que não compactua "com qualquer tipo de violência ou maus-tratos contra os animais" e que trabalha no fortalecimento de políticas públicas para a causa animal. O caso ganha relevância diante do recente decreto governamental que aumentou as multas por maus-tratos a animais, que agora variam de R$ 1.500 a R$ 50 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão em casos agravados, substituindo valores anteriores de R$ 300 a R$ 3 mil.
O episódio expõe tensões entre preocupações com segurança pública e direitos animais, enquanto o vereador afastado enfrenta consequências políticas e legais por suas declarações consideradas extremistas pela comunidade.



