Políticos evangélicos manifestam revolta após desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval carioca
O desfile da Acadêmicos de Niterói durante o Carnaval do Rio de Janeiro provocou uma revolta generalizada entre políticos evangélicos da direita conservadora. O centro da polêmica foi a ala intitulada "Neoconservadores em Conserva", onde foliões desfilaram fantasiados de latas de alimentos com o rótulo "Família em Conserva" e a ilustração de um núcleo familiar tradicional composto por pai, mãe e dois filhos.
Críticas ferrenhas de figuras políticas importantes
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não apenas criticou o desfile nas redes sociais, mas também anunciou uma nova ação do partido contra o presidente Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A motivação seria o uso de verba pública para custear as alegorias do desfile. "Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família", publicou o pré-candidato à Presidência da República.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), pastora ligada às igrejas do Evangelho Quadrangular e Batista da Lagoinha, também criticou duramente a ala dos "enlatados" na Sapucaí. "Usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível", declarou a ex-ministra do governo Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais.
Outras vozes da oposição se juntam às críticas
Outras autoridades eleitas que atacaram a Acadêmicos de Niterói na internet incluem:
- Filipe Barros (PL-DF), ex-líder da oposição na Câmara dos Deputados e ligado à Igreja Presbiteriana
- Caroline de Toni (sem partido-SC), ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara
- Deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), fiel da Comunidade Graça e Paz e pré-candidato ao Senado em 2026
Já o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e aliado histórico do bolsonarismo, não citou diretamente o desfile da Acadêmicos de Niterói. No entanto, em pregação recente, o líder evangélico alertou os fiéis sobre os perigos de assistir às festividades pela televisão. "Quando você liga a sua televisão, você faz com que o diabo entre na sua casa, que está lá naquela festa", declarou em vídeo publicado no domingo, 15 de fevereiro, nas redes sociais.
O contexto político e cultural do Carnaval
Este episódio ilustra a tensão crescente entre setores conservadores da sociedade brasileira e as expressões culturais tradicionais do Carnaval. A utilização de temas políticos satíricos nos desfiles das escolas de samba tem sido uma característica marcante do Carnaval carioca, mas raramente gera reações tão intensas de figuras políticas em exercício.
A polêmica também levanta questões sobre o financiamento público de eventos culturais e os limites da liberdade de expressão artística. Enquanto os organizadores do desfile defendem a criatividade e a crítica social como elementos essenciais do Carnaval, os políticos evangélicos argumentam que recursos públicos não deveriam ser utilizados para ridicularizar valores religiosos e familiares.



