O governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, efetuou nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, uma significativa reconfiguração nos postos estratégicos da alta cúpula da Polícia Militar. A medida envolveu a exoneração de aliados do ex-secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, incluindo figuras-chave como o chefe de inteligência e o corregedor-geral da corporação.
Mudanças na cúpula da PM
Conforme antecipado pela Folha de S. Paulo na última quarta-feira, 4 de fevereiro, a queda dos coronéis Pedro Luís de Souza Lopes, responsável pela inteligência, e Fabio Sérgio do Amaral, à frente da Corregedoria, marca o início de um processo mais amplo de retirada de apoiadores de Derrite do governo estadual. Estima-se que, ao menos, catorze nomes ligados ao grupo do ex-secretário devam abandonar suas posições de comando nos próximos dias.
Detalhes das movimentações
De acordo com as informações publicadas no Diário Oficial do estado, Fábio Sérgio do Amaral foi transferido para o CPI-7, que é o comando de área da região de Sorocaba, localidade de origem de Derrite. Em seu lugar, assume o coronel Alex dos Reis Asaka, anteriormente lotado na zona leste da capital paulista, no CPA/M-11.
Já Pedro Luís de Souza Lopes foi deslocado para o Comando de Policiamento Metropolitano, conhecido como CPM. A função de chefe de inteligência, por sua vez, passa a ser ocupada pelo coronel Caio Marcos de Oliveira, considerado um dos melhores quadros da inteligência da Polícia Militar e que antes atuava no próprio comando metropolitano.
Outras exonerações e realocações
Outro aliado de Guilherme Derrite que perde influência é o coronel Paulo Sérgio de Melo, até então chefe da Assessoria Policial Militar, órgão responsável pelos policiais militares na assessoria da Secretaria de Segurança Pública. Ele foi remanejado para a escola de sargentos, posição vista como de menor prestígio dentro da estrutura da PM. Alessandro Gregorim Silva assume a assessoria em seu lugar.
Além disso, Rogerio Nery Machado, que comandava a região da Baixada Santista, no CPI-6, foi designado para assumir o Presídio Militar Romão Gomes, completando o ciclo de mudanças na alta administração da polícia.
Coordenação das alterações
Conforme apurado pela reportagem, o expurgo dos aliados de Derrite está sendo comandado pelo secretário-executivo Henguel Ricardo Pereira, coronel da reserva e ex-secretário-chefe da Casa Militar, além de coordenador da Defesa Civil. O oficial recebeu a missão diretamente do governador Tarcísio de Freitas.
Integrantes da Polícia Militar relatam que Henguel Pereira obteve carta branca do governo estadual para implementar as mudanças que julgar necessárias. Ele teria determinado as trocas ao comandante-geral da PM, José Augusto Coutinho, que, por sua vez, conversou previamente com os nomes a serem movimentados.
Essa abordagem foi uma orientação explícita do novo secretário-executivo, com o objetivo de evitar repetir o ocorrido durante a crise de fevereiro de 2024, quando Derrite removeu trinta e quatro coronéis, sendo que a maioria deles soube da alteração apenas pela publicação no Diário Oficial.
Expectativas futuras
Há grandes expectativas dentro do governo para a possível saída do delegado-geral Artur José Dian, que tem manifestado a amigos a intenção de concorrer a um cargo eletivo. Existe a possibilidade de ele ser retirado do posto antes do prazo obrigatório para o afastamento.
Três nomes são cotados para assumir a função de delegado-geral, caso a vacância ocorra: os delegados Júlio Gustavo Vieira Guebert, Emygdio Machado Neto e Ivalda Aleixo, atual chefe do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa.
Posicionamento do governo
Sobre as recentes mudanças na pasta de Segurança Pública, a gestão do governador Tarcísio de Freitas tem reiterado que todas as movimentações e promoções na gestão das forças de segurança de São Paulo seguem critérios estritamente técnicos. A administração estadual afirma que as alterações visam aprimorar a atuação policial no estado, com foco especial no combate ao crime organizado e na proteção dos cidadãos.